PCC teria coordenado saída da Cracolândia de praça no centro

A mudança para a Alameda Cleveland ocorreu na quarta (21). O novo local teria sido escolhido por ser mais escondido e ter menos comerciantes

A  saída dos usuários da Cracolândia da Praça Princesa Isabel na última quarta (21) teria sido coordenada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que domina o tráfico na região. A informação foi passada a VEJA SÃO PAULO por fontes da área de saúde e assistência social que atendem os usuários. Segundo elas, os viciados levantaram acampamento, com todos os seus pertences, como se estivessem em uma “procissão”, sem qualquer impedimento por parte da polícia. A motivação da saída teria sido a grande visibilidade que o ‘fluxo’ passou a ter desde que mudou de endereço. Mas não se sabe ao certo se houve envolvimento de alguma outra parte

As imediações da Alameda Cleveland, onde os usuários se encontram agora, ficam a poucos minutos a pé de distância, mas é uma área mais escondida: não se trata de um campo aberto, possível de se ver de longe, como a Praça Princesa Isabel. Também não dispõe de pontos comerciais dividindo espaço com viciados e traficantes.

Os usuários haviam migrado para a praça cerca de um mês atrás, após uma megaoperação na Cracolândia que começou no dia 21 de maio, na qual traficantes foram presos, hotéis que acomodavam usuários derrubados e a feira de drogas, na Rua Helvétia e na Alameda Dino Bueno, desmantelada. 

Desde então, frequentadores da praça passaram a evitar o local. A Primeira Igreja Batista de São Paulo, que fica nas imediações, por exemplo, registrou queda no número de fiéis. “No período em que ficaram aqui, eles não mexeram com ninguém. Ainda assim, teve gente que deixou de vir”, comenta Junia Bueno de Faria, secretária da igreja. Daqui a duas semanas, no fim de semana dos dias 7, 8 e 9 de julho, a igreja comemorará seus 118 anos de existência e trará um pastor de Detroit, nos Estados Unidos, para realizar o culto no local. “Não mudamos a programação por causa da movimentação”, garante ela.

Fluxo na Praça Princesa Isabel: ocupação dos usuários no local durou um mês (NELSON ANTOINE/ESTADÃO CONTEÚDO/Veja SP)

 

A prefeitura afirmou, por meio de nota, que a mudança de local dos usuários não altera os trabalhos que vêm sendo realizados e que continuará com os atendimentos de saúde e assistência social na região. De acordo com dados do município, foram realizadas mais de 420 internações voluntárias no último mês.

O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves, afirmou que se, de fato, o tráfico ordenou a mudança dos usuários, seria em decorrência da eficiência da ação da Polícia Militar.

Desde a primeira operação da PM, no dia 21 do mês passado, foram apreendidas na região 56,7 quilos de droga, sendo 12,5 quilos de crack, segundo Alves. “É um trabalho que não tem hora para terminar, não importa se os usuários migraram de um lugar para o outro”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)

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