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Em Taboão da Serra, 11 morrem à espera de leito de UTI para Covid-19

Cidade não tem Unidades de Terapia Intensiva e depende do Cross, que regula vagas do SUS; secretária diz que sistema está em colapso

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 9 mar 2021, 12h26 - Publicado em 9 mar 2021, 09h49

Em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, 11 pacientes já morreram em decorrência da Covid-19 à espera de leitos de UTI. Em entrevista ao Bom Dia São Paulo, da Rede Globo, Thamires May, secretária adjunta da Saúde, disse que o município não consegue transferir casos graves para outras cidades e que o Sistema Cross, que regula vagas SUS no estado, está em colapso.

A cidade não possui leitos de UTI e, por isso, depende do Cross para internar pacientes. Leitos de enfermaria foram adaptados para garantir ao menos ventilação mecânica aos doentes graves.

“Nosso limite são os respiradores. Nós ampliamos o número, nós temos dez leitos de suporte respiratórios, mas essa semana nós chegamos a ter 14 pacientes entubados. Em nenhum momento houve uma falha do município. Nós temos um limite em relação ao atendimento e aparelhagem. Não conseguimos realizar alguns procedimentos que são realizados apenas em hospitais de alta complexidade”, afirmou.

“Desde o dia 3 nós não recebemos nenhuma vaga. (…) E todas as devolutivas do estado têm sido que o plano de contingência está ativado e que os leitos estão superlotados e não há como receber a nossa demanda”, disse ela. “Não contávamos com esse colapso na [Sistema] Cross e isso que tem dificultado o nosso município”, afirmou a secretária.

De acordo com Thamires, 16 pacientes aguardam transferência para leitos de UTI no momento. “Estamos com 11 pacientes intubados, 16 aguardando transferência via Cross e tivemos 11 óbitos, infelizmente, esses 11 estavam inseridos no sistema aguardando vaga em unidade de terapia intensiva”, relata.

Na quinta-feira (4), a prefeitura de Taboão da Serra anunciou a criação de 30 leitos para o atendimento de pacientes com Covid, totalizando 70 leitos na cidade exclusivos para a doença. 

A situação preocupa porque Taboão da Serra é o primeiro município do estado a registrar mortes por falta de leitos de UTI.  Nesta segunda (8), o governador João Doria anunciou a abertura de 280 novos leitos para a Covid-19, 140 serão de UTI.

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A secretaria estadual da Saúde, em nota enviada à Vejinha, nega que o Cross tenha negado leitos de UTI a Taboão da Serra.

Leia o comunicado na íntegra:

É errada  a informação de que a Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) negou vagas para Taboão da Serra. Desde 3 de março, houve 144  regulações de diversos perfis de pacientes, incluindo 14 suspeitos ou confirmados de COVID-19. Portanto, a Cross mantém o auxílio em todos esses dias.

Consta na Cross informação de óbito de oito pacientes de Taboão da Serra desde o dia 28 de fevereiro, até ontem. As idades variavam entre 53 e 82 anos, sendo idosos ou pessoas com comorbidades, com pedidos registrados em média 24h antes do óbito. Nessas situações, o falecimento ocorreu não por ausência de medidas pelo Estado, mas pela gravidade clínica dos pacientes. Outros dez pedidos registrados no período ficaram sem atualização por parte do município em período superior a 48h, o que inviabiliza o trabalho dos médicos da Cross.

O papel da Central não é criar leitos, mas sim auxiliar na identificação de uma vaga no serviço mais próximo do paciente e apto a cuidar de seu caso.

O município conta com dois hospitais estaduais de referência para coronavírus: o Regional de Cotia, com 36 leitos de enfermaria e 30 de UTI, e o Geral de Itapecerica da Serra, com 10 de enfermaria e 31 de UTI. Além disso, os cidadãos podem ser atendidos em outros locais, como na Grande São Paulo, que possui mais de 2,7 mil leitos de UTI no SUS. Vale lembrar que o Estado atua de forma regionalizada e a criação de leitos não é prerrogativa desta única esfera, cabendo também ao município e Governo Federal.

A Secretaria de Estado da Saúde está aprimorando a estratégia de gestão de leitos para casos de síndrome respiratória, além de otimizar a rede para garantir assistência.

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