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Implante hormonal contraceptivo é usado para fins estéticos

Procura pelo "chip da beleza" aumentou entre 30% e 60% nos consultórios

Por Tatiana Izquierdo 10 mar 2017, 19h10

Com reportagem de Ana Luiza Cardoso

Em agosto de 2016, a empresária Alessandra Del Rio queria aumentar a disposição para malhar. Por recomendação médica, tentou um novo método que poderia ajudá-la nesse processo e, assim, melhorar sua forma física. Hoje, aos 45 anos, comemora as transformações positivas. “Ganhei a barriga tanquinho e as pernas torneadas que tanto queria”, relata. “Além disso, agora tenho muito mais pique para fazer exercícios.”

A fórmula adotada por ela foi o implante hormonal subcutâneo. Originalmente, esse remédio era utilizado apenas como método anticoncepcional e antídoto contra sintomas da menstruação, como TPM e enxaqueca. Nos últimos tempos, no entanto, várias mulheres têm lançado mão do medicamento para obter efeitos estéticos.

“Dobrou o número de pacientes que me procuram pedindo esse tratamento”, afirma o ginecologista Rodrigo da Rosa Filho, da clínica Mater Prime, em Moema. Criado na década de 80, o implante hormonal se assemelha a um chip em forma de tubo feito com silicone. Tem cerca de 4 centímetros e é aplicado no corpo, na região das nádegas ou no antebraço, por meio de injeção.

Seu efeito dura de seis meses a um ano e custa entre 3 000 e 7 000 reais. Nesse período, a menstruação é suspensa e evitam- se a gravidez e as cólicas. O implante para fins estéticos começou a ser empregado quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, no fim de 2015, uma concentração maior de hormônios presentes no dispositivo.

Rosa Filho: a procura aumentou entre 30% e 60% nos consultórios Gladstone Campos/Veja SP

Até então, era possível utilizar apenas dois; agora são seis, entre eles o estradiol e a testosterona. O coquetel acabou ajudando no aumento da disposição para praticar exercícios físicos, na maior definição muscular, na perda de peso e na redução da celulite. “Isso acontece porque as substâncias combinadas agem nos músculos, na gordura e nos ossos”, explica Rosa Filho.

A reportagem de VEJA SÃO PAULO conversou com sete médicos que trabalham com o implante. Segundo eles, a busca pelo tratamento com o objetivo de melhorar a aparência cresceu entre 30% e 60% nos consultórios desde o início do ano passado. “A galera fitness é quem mais o procura”, conta o ginecologista Flávio Ramires. “Fiquei ‘durinha’ e com a cintura e as coxas bem torneadas”, diz a ex-fisiculturista Fernanda Marcun, 36, que reduziu a gordura corporal de 15% para 11% após o coquetel.

O Conselho Federal de Medicina proíbe a reposição hormonal para fins exclusivamente estéticos, sob pena de advertência e até suspensão do registro profissional. É difícil, no entanto, controlar o uso do “chip”, porque ele funciona não apenas como repositor, mas também como método contraceptivo. Qualquer mulher pode pedir ao seu ginecologista que adote a técnica como anticoncepcional e ter, de “bônus”, a melhora física.

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Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, é necessário ter cuidado com a inclusão de hormônios no organismo. O excesso pode causar complicações à saúde, como o engrossamento da voz e a queda de cabelo. Em casos mais severos, existe o risco de redução da libido e até de desenvolvimento de câncer.

“Até o momento, não há estudos com força de evidência que permitam o uso com segurança desse contraceptivo”, alerta a ginecologista Marisa Patriarca, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. “Se o tratamento for feito de maneira precisa, com exames rotineiros, a probabilidade de haver consequências negativas será mínima”, contrapõe o ginecologista Malcolm Montgomery, entusiasta do coquetel.

Vale ressaltar que nem todas as pacientes se beneficiam desse recurso, incluindo aquelas que o procuram por questões médicas. Como acontece com qualquer método anticoncepcional, pode ocorrer rejeição, dependendo da sensibilidade do organismo da mulher. “Depois que coloquei o implante, passei a ter inchaços e dores pelo corpo. Então, abandonei o método e voltei a tomar pílula”, afirma a fisioterapeuta Talita Suchara Nicolau, 25, que usou o cilindro por apenas três meses, em 2016.

OS PRÓS E CONTRAS DA APLICAÇÃO
Como funciona
A paciente recebe até seis hormônios: gestrinona, testosterona, elcometrina, estradiol, levonorgestrel e progesterona.

Preço e duração
De 3 000 a 7 000 reais. De seis meses a um ano.

Objetivos
Suspender a menstruação para evitar gravidez e TPM e fazer modulação hormonal.

Efeitos positivos
Definição muscular, ganho de massa magra e redução da celulite.

Efeitos negativos
Inchaço, queda de cabelo, redução da libido e, em casos graves, câncer.

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