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Fiocruz vê tendência de alta em casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave

Alta é puxada por forte elevação de casos entre crianças de 0 a 9 anos e pode não estar ligada à Covid-19

Por Clayton Freitas Atualizado em 2 dez 2021, 20h36 - Publicado em 2 dez 2021, 20h05

O boletim InfoGripe produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e divulgado nesta quinta-feira (2) indica tendência de crescimento de longo prazo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas seis semanas em São Paulo.

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Pela análise, houve um leve avanço na média móvel dos casos registrados na semana epidemiológica 47, compreendida entre os dias 21 a 27 de novembro. Essa leva alta interrompeu uma sequência de queda observada desde a semana epidemiológica 20, em maio último.

Quando analisados os grupos por faixa etária, percebe-se que o avanço é reflexo do impacto da forte alta no grupo de bebês e crianças de 0 a 9 anos de idade.

Segundo explica o pesquisador Leonardo Bastos, do InfoGripe, apesar dos dados representarem apenas as SRAG, ou seja, os casos mais graves que demandaram hospitalizações e, em alguns casos, óbitos, é possível presumir que esse comportamento não está ligado à Covid-19.

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“Se fosse nos grupos acima de 20 anos certamente eu bateria o martelo e diria que é Covid. Porém, nessa faixa etária, é bem mais provável que seja o conjunto de Influenza, parainfluenza e vírus sincicial respiratório”, disse à Veja São Paulo.

Ele alerta porém que apenas os resultados dos exames laboratoriais a serem inseridos no sistema do Sivep-Gripe pelas secretarias estaduais e municipais de saúde vai indicar se de fato não estão relacionados com o novo coronavírus.

O pesquisador afirma que sua hipótese se baseia em três fatores: o fato de as crianças passarem a sair mais de casa recentemente, inclusive para ir às aulas; a cobertura vacinal, e ainda surtos dos vírus, que incluem não somente a Influenza A (gripe), mas também o bocavírus, parainfluenza e o sincicial respiratório.

Desde o dia 18 de outubro deste ano, as aulas presenciais passaram a ser o obrigatórias, e não facultativas como antes. “Pode ser que muitas crianças passaram a pandemia toda sem contato com a Influenza”, afirma o pesquisador.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo indicam que a cobertura vacinal da campanha contra a gripe neste 2021 indicam que 36% das crianças elegíveis a tomarem a vacina contra a gripe não foram imunizadas. Isso ocorreu mesmo após o governo estadual ter estendido a campanha de vacinação até o final de julho, um mês após a previsão inicial.

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