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Mudança de escola: dicas para tornar a transição mais tranquila

Escolas paulistanas adotam programas de acolhimento e outras ferramentas para facilitar o processo

Por Thays Reis
Atualizado em 26 jan 2024, 12h16 - Publicado em 26 jan 2024, 06h00

Se o início do ano letivo já é um momento de grandes expectativas para crianças, adolescentes e até para os adultos, imagine quando o recomeço do período ocorre juntamente com uma mudança de escola. Nesse momento de ruptura de laços e rotinas passados, pais e educadores precisam dedicar uma parte significativa do tempo para desenvolver um processo de adaptação que não gere mais insegurança.

Como ocorre em diversas situações da vida, o diálogo precisa começar dentro de casa e continuar no novo colégio. Para isso, o primeiro passo é a família explicar para a escola o motivo da troca. “O processo de acolhimento se resume a uma boa comunicação que gere confiança”, afirma a diretora acadêmica da Maple Bear, Antonieta Megalle, 44.

Sempre que possível, a participação do lado mais interessado e afetado pela mudança também deve ser levada em consideração. “Deixamos o Heitor participar da nova escolha. Nosso objetivo era fortalecer a autoestima e mostrar que a opinião dele é importante”, explica a psicóloga Helga Barbosa, 34, moradora do Parque São Domingos, na Zona Norte.

Ao buscar uma atenção mais individualizada para a criança de 4 anos, Helga optou pelo Colégio Knupp, no mesmo bairro, em um diálogo que começou alguns meses antes. “Eu vou sentir saudade dos meus amigos, eles dividiam o brinquedo comigo. Mas na nova escola vai ter suco e eu vou levar minha lancheira dos Vingadores”, diz o animado garoto.

Imagem mostra criança em cima de mesa segurando boneco e apontando para lápis de cor e tintas. Junto, mãe, sentada em cadeira na mesa, que segura o filho pelas costas
Heitor e Helga: decisão em família (Leo Martins/Veja SP)

Quando a mudança ocorre “a pedido”, a transição tende a ser mais fácil e harmoniosa, mas nem sempre a equação está resolvida, sobretudo pelas amizades deixadas para trás.

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A gerente de riscos Beatriz Giuntoli, 37, procurava uma escola com mais atividades para despertar um maior interesse no ambiente escolar pelos dois filhos, Isabella, 8, e Mateus, 10. “As crianças estavam desmotivadas, nem queriam falar sobre a escola antiga”, relata a mãe.

Beatriz conversava com os filhos há mais de um ano sobre o assunto, mas foi na visita ao Colégio Magno/Mágico de Oz, no Jardim Marajoara, Zona Sul de São Paulo, que viu a dupla empolgada com a novidade. “Eu estou feliz porque vou para uma escola melhor. Lá tem um ginásio de futebol e um laboratório com Lego”, conta o garoto, apesar de sentir que vai se distanciar dos amigos. “Já eu quero fazer ginástica artística”, conta Isabella.

O processo feito pela família de Beatriz, de conhecer previamente a nova escola, é importante para deixar os futuros alunos mais familiarizados com os ambientes. “Quanto mais vivências o aluno tiver na nova comunidade, mais tranquilo vai ser o processo de acolhimento”, afirma Luciana Centini, diretora do Colégio Visconde de Porto Seguro, no Morumbi, Zona Sul.

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Imagem mostra mãe e duas crianças (uma menina e um menino) em sofá de apartamento, com livros escolares e mochila escolar ao lado. Ao fundo, sacada, com churrasqueira
Beatriz, ao lado dos filhos: novas motivações (Leo Martins/Veja SP)

A escola, que possui três unidades, organiza dois momentos prévios de acolhimento aos novatos: a Experiência Porto, em que as crianças experimentam a escola com atividades de artes e de esporte, e o Welcome Day, um dia de boas-vindas para os recém-chegados.

No Pueri Domus, com unidades nas zonas Oeste e Sul, as boas-vindas são dadas pelos próprios alunos remanescentes, organizados por meio de um comitê de voluntários. “Essa parceria é interessante para o aluno-guia, que ganha uma responsabilidade, e para a criança nova, que se sente acolhida por um par”, conta Christina Sabadell, head do Grupo SEB, do qual o Pueri Domus faz parte.

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Em universo de quase 5 000 escolas públicas e privadas, a capital paulista possui uma grande variedade de métodos e propostas de ensino.

De olho em um ambiente novo, que proporcionasse novas interações para sua filha Maria Luiza, 6, a publicitária Carolina Torres, 43, buscou uma escola que abrigasse alunos de países variados. “Eu convivo com pessoas de outras nacionalidades no trabalho e acho que isso abre muito a cabeça. Esse era um valor inestimável”, conta. O Colégio St. Nicholas, em Pinheiros, com cerca de 25% de alunos estrangeiros, foi a escolha da família.

Além do intercâmbio cultural, a proposta pedagógica do St. Nicholas possibilita a convivência entre diferentes idades. “Nós não temos salas de aula. Crianças de 1 ano e 6 meses convivem com alunos de 4 anos em um espaço aberto”, conta a coordenadora da educação infantil, Penelope Cardoso, 42.

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Imagem mostra criança sorrindo, segurando lápis de cor entre as mãos e os erguendo para cima
O pequeno Heitor: nova escola neste ano (Leo Martins/Veja SP)

“Sempre vemos alunos que já conhecem o espaço acolhendo os novos. É um novo contexto de vivência”, completa. Nesse período de adaptação também é comum que o horário de permanência das crianças na escola (e em outras) aumente gradualmente.

Nos ensinos fundamental II e médio, as estratégias de integração também são importantes. No Equipe, em Santa Cecília, Centro, os alunos veteranos realizam saraus de recepção e a escola organiza viagens supervisionadas para acampamentos, que duram três dias.

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“Os passeios extracurriculares colaboram para que as crianças se reconheçam e se sintam parte do grupo”, relata a diretora Luciana Fevorini, 54. Mesmo depois da adaptação, o acompanhamento precisa ser constante. Também vale a dica de que, se a nova escola não atingir os objetivos do aluno e da família, há milhares de outros colégios e possibilidades na cidade. ■

Publicado em VEJA São Paulo de 26 de janeiro de 2024, edição nº 2877

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