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“Palácio do Fim” dá um choque de realidade no público

Drama mete o dedo na ferida causada pelos conflitos bélicos entre o Iraque e os Estados Unidos nas últimas duas décadas

Por Dirceu Alves Jr. 27 jan 2012, 23h50 | Atualizado em 4 set 2025, 15h10

Assistir a uma peça de teatro tem sido encarado pelo grande público como um mero divertimento. Algumas vezes, no entanto, a arte reafirma a sua proposta e pode chocar a plateia ao trazer à tona questões que passam longe da leveza. É o caso de “Palácio do Fim”, drama escrito pela canadense Judith Thompson e dirigido por José Wilker. O título faz referência à câmara de tortura do ditador Saddam Hussein (1937-2006), no antigo Palácio Real, em Bagdá. Portanto, não espere um programa relaxante no Sesc Consolação. Inspirado em três histórias reais, o espetáculo mete o dedo na ferida causada pelos conflitos bélicos entre o Iraque e os Estados Unidos nas últimas duas décadas.

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Camila Morgado, Antonio Petrin e Vera Holtz interpretam fragmentados monólogos sobre como três pessoas, de visões opostas, foram modificadas pela barbárie. Camila dá vida à oficial americana Lynndie England. No discurso perplexo, a atriz investe no desequilíbrio da comandante ao relembrar as humilhações às quais submeteu seus prisioneiros e na sua fútil revolta contra o status de celebridade conquistado. Responsável pelo personagem mais difícil, Petrin impressiona como o cientista inglês David Kelly. Ele mentiu ao dizer que não havia armas de destruição em massa no Iraque e amarga o remorso.

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Em um papel sob medida para o seu talento, Vera Holtz explora muito bem suas chances na pele da ativista comunista Nehrjas Al Saffarh. Morta durante um bombardeio na Guerra do Golfo, ela leva o público às lágrimas ao relatar com detalhes a tortura envolvendo seu filho e, no ápice dramático, protagoniza uma memorável cena emoldurada pela iluminação de Maneco Quinderé. Wilker construiu uma encenação disposto a perturbar os espectadores, como se eles estivessem em um tribunal e fossem obrigados a analisar a postura do trio. Não amenizou a densidade das situações e reforçou a crueza das palavras. Desta forma, após os momentos de emoção, cada um sai do teatro apto a refletir sobre fatos tão recentes.

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