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Traficantes voltam a armar barracas para driblar fiscalização na Cracolândia

"Feira" de venda de drogas é interrompida três vezes ao dia por guardas-civis metropolitanos

Por Estadão Conteúdo 26 Maio 2016, 10h59 | Atualizado em 27 dez 2016, 17h38
cracolândia folhapress agosto de 2015
cracolândia folhapress agosto de 2015 (Folhapress/)
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Dependentes químicos e traficantes da Cracolândia, no centro da capital paulista, voltaram a montar barracas para driblar a fiscalização das autoridades e manter o consumo de crack no chamado “fluxo”, ocupando um quarteirão da Alameda Dino Bueno. A gestão Fernando Haddad (PT) trata as estruturas como “varais”, admitindo que são montadas para manter o comércio de drogas, mas minimiza o problema, apontado diferenças entre elas e a “favelinha” que existia ali até 2014.

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No interior da barracas, traficantes deixam mesas e cadeiras, onde as pedras de crack são expostas em pratos. Pelo chão, há muita sujeira. O movimento ao redor dali é intenso.

A prefeitura interrompe essa “feira” três vezes ao dia, quando guardas-civis metropolitanos dispersam o fluxo para dar passagem a um caminhão-pipa e outro de coleta de lixo, desmontando todas as estruturas. Passados poucos minutos, porém, as casas de lona voltam para o meio da rua, onde ficam à espera da próxima faxina.

Comerciantes da região tratam essa dinâmica com a ilustração mais óbvia: “O que fazem é enxugar gelo”, diz um deles, que afirma ainda não acontecer confrontos na hora da limpeza por causa da certeza dos traficantes de que, minutos depois, poderão voltar à rotina.

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Explicações

“Não são barracas como existiam antigamente. São varais que eles colocam para impedir a filmagem da ação dos traficantes”, afirma o secretário municipal da Segurança Urbana, Benedito Mariano. A diferença, diz ele, é que não há pessoas vivendo nessas novas estruturas.

O programa São Paulo de Braços Abertos, da Prefeitura, que foca em combater a fragilidade social dos dependentes – e não o tráfico, que é de responsabilidade da polícia – teve início em janeiro de 2014, justamente quando a “favela” da Cracolândia havia ganhado as manchetes dos jornais. No fim do ano passado, quando começaram a surgir novas barracas, ainda de forma velada, a Guarda Civil Metropolitana passou a impedir a entrada de carrinhos de carroceiros no fluxo – a justificativa era que, dentro deles, os frequentadores levavam materiais para erguer as tendas de lona.

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“Isso não mudou, continuamos impedindo”, diz Mariano. “O que ocorre é que há comerciantes do entorno, agora ajudando os traficantes, guardando material para eles. Aí, depois de tirarmos as lonas, eles pegam outras lonas guardadas e montam barraca de novo.”

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“O que a gente vem insistindo é que é preciso um trabalho de segurança, com inteligência, prendendo traficantes longe dali”, diz o secretário. Anteontem à tarde, quando o jornal O Estado de S.Paulo visitou a região, havia apenas uma base móvel da PM no local. A Guarda Civil Metropolitana mantém 200 homens ali e deve abrir uma inspetoria na Cracolândia em junho.

Polícia

Já a Secretaria de Estado da Segurança Pública, em nota, informou que, neste ano, 140 pessoas foram presas por tráfico na região. “Além disso, o Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos) está empenhado em investigar fornecedores de drogas para a área”, diz a nota, que afirma ainda que a PM tem 150 homens no bairro.

As explicações, entretanto, não acalmam a Associação de Moradores da Santa Cecília, principal entidade comunitária da região. O presidente, Fabio Fortes, reclama da insegurança. “Estamos diante de um tumor social. Os programas das três esferas de governo são uma confluência de teorias cujo resultado prático é a insegurança de moradores, trabalhadores, turistas, comerciantes e estudantes que convivem em toda região central sob constante ameaça.”

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