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Praças Roosevelt, Sé e República sofrem com o vandalismo

O que precisa melhorar nas três principais praças da região central de São Paulo

Por Edison Veiga 18 set 2009, 20h32 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h25

Muitos dos 2 milhões de paulistanos que circulam diariamente pelo centro atravessam a Praça da Sé ou a Praça da República, reformadas há menos de um ano. O investimento de 7 milhões de reais na época deixou-as tinindo. Ganharam bancos, lixeiras, árvores e pisos novos. O que se vê hoje ali, no entanto, é o resultado da ação de marginais, que picham, depredam e roubam parte do patrimônio público, desafiando a lei. A segurança delas é feita por apenas 23 homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que se revezam em turnos. “Não é suficiente para coibir o vandalismo”, admite o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. “Precisaríamos viabilizar a contratação de segurança privada.” A situação é pior na Praça Franklin Roosevelt, que há mais de dois anos sofre maus-tratos. Trata-se de uma área de 20?000 metros quadrados praticamente sem árvores, cercada por muros e com uma cobertura em forma de pentágono. Quase todas as paredes estão pichadas, com rachaduras e goteiras provocadas por infiltração. À noite, moradores de rua se instalam sob a marquise e a fedentina é insuportável. A situação só não ficou pior graças a companhias de teatro como Satyros e Parlapatões, que promovem ali em frente espetáculos de segunda a domingo. “Essas praças deveriam expressar o que há de mais essencial para uma cidade: intercâmbio cultural e afetivo”, afirma o urbanista Cândido Malta Campos Filho.

Os sinais do abandono são nítidos. Pichações estampam muros, garrafas de vidro e sacolas plásticas se acumulam sobre o gramado, um vazamento cria poças d’água e o cheiro é repugnante. A situação piorou desde julho, quando saíram do local um supermercado – que locava da prefeitura um prédio existente na praça – e uma escola municipal de educação infantil. “Nos últimos meses, o movimento de minha loja caiu 90%”, afirma a florista Rosana Barbosa, dona de uma das três banquinhas que funcionam ali. A boa notícia é que a tão prometida reforma do local (desde 2005 se fala nisso) está para sair. “As obras custarão 12 milhões de reais e devem começar em março”, anuncia o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Serão demolidos a marquise e o prédio onde funcionavam o mercado e a escola. A praça ficará mais aberta, com acesso fácil tanto pela Rua Augusta quanto pela Rua da Consolação. Além de escadarias, serão construídas rampas para deficientes físicos. O projeto prevê ainda um telecentro, espaço público que oferece acesso à internet de graça à população. “Aguardamos com muita expectativa a revitalização, para esquecermos essa fase difícil da praça”, diz Hugo Possolo, do Espaço Parlapatões, um dos teatros que funcionam na região.

Ao custo de 4 milhões de reais, a Praça da Sé, marco-zero da cidade, teve a reforma concluída no início deste ano. Ficou do jeito que São Paulo merece. Mas, como mostram as fotos ao lado, o lugar está malconservado, com pichações, mato alto e mendigos. É comum que moradores de rua utilizem o espelho-d’água para lavar roupas, e alguns não hesitam em se abrigar sob a sombra das esculturas que enfeitam a praça – aliás, Abertura, de Amilcar de Castro, é uma das que estão pichadas. Da bela passarela que existe no local, faltam duas das 46 placas de vidro. E sete estão trincadas. A Secretaria Municipal de Assistência e De-senvolvimento Social tem se esforçado para tirar os mendigos dali. Diariamente, 44 peruas e 354 agentes circulam abordando os sem-teto e convidando-os a passar a noite em um dos 36 albergues da cidade. “A cada quatro deles, somente um aceita ir”, conta o secretário Floriano Pesaro. “A resistência a sair das ruas é grande, principalmente porque 70% dessa população tem algum comprometimento de saúde mental.” As praças estão entre seus lugares preferidos. “São pontos em que eles se sentem protegidos e conseguem mais esmola”, afirma Pesaro.

O paulistano sempre apreciou muito a Praça da República”, diz o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo. “O que é muito positivo, já que as pessoas precisam gostar de seus patrimônios.” Com o rebaixamento dos canteiros e dos gradis, a recuperação do lago e a instalação de novo piso – um investimento total de 3 milhões de reais –, a praça pôde, em fevereiro deste ano, voltar a embelezar o centro. Sem dúvida é a que se apresenta em melhores condições, atualmente. O passeio é limpo – a prefeitura afirma que os seus quase 15 000 metros quadrados são varridos dez vezes por dia e lavados todas as noites –, embora haja um pouco de lixo no gramado. Uma pena que os chafarizes do lago não funcionem mais, desde que foram roubados os 27 jatos e registros que faziam o sistema operar. O busto que homenageia Luiz Lázaro Zamenhof, criador da utópica língua esperanto, está riscado e tem a gravata danificada. “Não adianta esperar quebrarem tudo para fazer nova reforma”, diz Marco Antonio de Almeida, superintendente da Associação Viva o Centro. “Quando se fala em praças, sempre insistimos no indispensável: uma boa manutenção.”

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