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Afonso Poyart, de ‘2 Coelhos’, estreia em Hollywood com ‘Solace’

Em entrevista à VEJA SÃO PAULO, o diretor conta como é trabalhar com Anthony Hopkins e Colin Farrell no elenco do thriller, que será lançado no primeiro semestre de 2014

Por Tiago Faria 5 jul 2013, 16h32 | Atualizado em 29 dez 2016, 10h32
Afonso Poyart e Anthony Hopkins nas filmagens de 'Solace'
Afonso Poyart e Anthony Hopkins nas filmagens de 'Solace' (Divulgação/)
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Bastou um único filme – o surpreendente 2 Coelhos, de 2010 – para que o diretor paulista Afonso Poyart carimbasse o passaporte para Hollywood. Há quatro semanas, ele dirige seu primeiro longa-metragem americano: o thriller sobrenatural Solace.

Com Anthony Hopkins e Colin Farrell, a fita conta a história de um detetive do FBI que procura um médico aposentado para tentar resolver uma série de assassinatos. Para transformar esse roteiro (coescrito por Peter Morgan, de A Rainha e 360) em cinema, Poyart pretende reprisar a combinação bem sucedida de 2 Coelhos. “Um visual arrojado, mas com preocupação com a trama”, ele explica. Uma refilmagem americana de seu longa de estreia, aliás, será lançada ainda este ano. 

O diretor, que mora em São Paulo, começou sua carreira em Santos, no ramo da publicidade e do videoclipe. Dirigiu vídeos para a banda Charlie Brown Jr e a cantora Marjorie Estiano, entre outros. Na entrevista a seguir, ele deu uma pausa rápida nas filmagens de Solace, coproduzido pela New Line Cinema (de O Senhor dos Anéis), para conversar sobre a produção do filme, a rotina de trabalho em Los Angeles e os planos de dirigir mais filmes falados em inglês – se possível, aqui mesmo no Brasil.

VEJA SÃO PAULO: Como surgiu o convite para dirigir Solace?

AFONSO POYART: Logo após a estreia de 2 Coelhos, alguns agentes de Los Angeles ficaram interessados em me representar como diretor para o mercado internacional. O Brent Travers, meu manager atual (manager também de Wagner Moura) veio até o Brasil, viu o filme nos cinemas, e eu acabei assinando com ele e com a UTA (United Talent Agency). Depois comecei a ler vários roteiros e o Solace se tornou algo especial. Simplesmente estalou. Um filme com ótimo roteiro e grande potencial visual.

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VEJA SÃO PAULO: Em que etapa está a filmagem?

AFONSO POYART: Acabei a quarta semana de filmagem. O filme é bem puxado. É bastante ambicioso para o orçamento (27 milhões de dólares). Um cronograma de filmagem de 30 dias, bem apertado. “So far, so good”. Deve ser lançado no primeiro semestre de 2014.

VEJA SÃO PAULO: Como é trabalhar com Colin Farrell e Anthony Hopkins?

AFONSO POYART: Demais! O Tony, como o Antony Hopkins gosta de ser chamado por todos, é um mestre. Além de muito paciente, é generoso, sempre está super preparado para as cenas. Ainda não trabalhei com o Colin, nossa primeira semana é agora, mas pelo pouco que conversamos, ele é um cara legal. Tenho que destacar o incrível Jeffrey Dean Morgan, um monstro, arrasou em todas as cenas. E a Abbie Cornish, linda e talentosa. Tive muita sorte nesse elenco.

VEJA SÃO PAULO: 2 Coelhos foi elogiado por aliar um roteiro criativo com efeitos visuais pouco vistos no cinema brasileiro. O que você levou do filme para Solace?

AFONSO POYART: Acho que exatamente isso. Um visual arrojado, mas com preocupação com a trama. Não adianta pirotecnia se você não se preocupa com as personagens e a história. Acho que 2 Coelhos é uma boa união das duas coisas. 

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'Solace', de Afonso Poyart

‘Solace’, de Afonso Poyart

VEJA SÃO PAULO: Diretores brasileiros como Walter Salles, José Padilha e Heitor Dhalia tiveram a experiência de trabalhar nos Estados Unidos, com resultados muito diferentes. O que mais se aprende quando se filma nos Estados Unidos? Quais são as principais diferenças (técnicas, criativas) quando se compara com a rotina de uma produção brasileira?

AFONSO POYART: Primeira coisa: o tamanho da estrutura cinematográfica disponível. Aqui em Los Angeles é muito maior. Segundo: eles têm uma escola de cinema já bem estabelecida, o que às vezes ajuda, e muitas vezes torna as coisas meio burocráticas. Esse foi o meu maior choque. Como cineasta, sou muito empírico e gosto de aproveitar os momentos espontâneos. Aqui tudo é muito preparado e planejado. Quando chego pra fazer uma diária de filmagem gosto de estar 80% preparado e 20% aberto para as coisas que aparecem, mas aqui eles incentivam você a estar 100% preparado. 

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VEJA SÃO PAULO: A sinopse de Solace descreve o filme como um ‘thriller sobrenatural’. Você se sente à vontade fazendo cinema de gênero?

AFONSO POYART: O filme tem uma influência de Se7en e Silêncio dos Inocentes, mas tentei fugir do gênero. Não acho que Solace é um filme de serial killer, isso é só sua camada exterior. No fundo o filme é muito mais que isso, fala sobre vida e morte, e levanta alguns interessantes dilemas morais.

VEJA SÃO PAULO: 2 Coelhos ganhará uma versão norte-americana. Em que pé está o projeto?

AFONSO POYART: Eles estão escrevendo o roteiro no momento. Sou somente produtor executivo, não tenho envolvimento criativo. O filme original será lançado em breve nos Estados Unidos também, provavelmente em 2013 ainda.

VEJA SÃO PAULO: Você pensa em desenvolver uma carreira de diretor nos Estados Unidos ou o seu foco é o mercado brasileiro?

AFONSO POYART: Sim. Mas, meu próximo projeto nos USA tem que ser algo que tenha envolvimento com produtor também e, de preferência, algo que eu tenha desenvolvido como roteirista ou co-roterista. Assim tenho mais conhecimento profundo sobre o material, me sinto mais conectado.

VEJA SÃO PAULO:  Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, afirmou que, hoje em dia, ele prefere dirigir produções internacionais a fazer filmes brasileiros, que têm alcance ainda pequeno em comparação a títulos estrangeiros. Em sua opinião, ainda vale apostar em produções nacionais para o cinema?

AFONSO POYART: Tenho uma opinião parecida com a do Fernando. O que me atrai nas produções internacionais é o alcance. O que eu adoraria fazer é produzir filmes no Brasil, mas para o mercado internacional, leia-se filmes falados em Inglês. Acho que existe um enorme potencial para a produção de filmes no Brasil, não só para o mercado nacional, mas como uma base de produções internacionais.

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VEJA SÃO PAULO: Você também está produzindo a cinebiografia da banda Calypso. Recentemente houve uma boataria sobre uma possível interrupção da produção do filme, por conta de declarações polêmicas da cantora Joelma? Como está a produção?

AFONSO POYART: Por conta de outros projetos, me retirei dessa produção. Não faço mais parte da equipe, então, não sei como está o andamento disso.

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