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A Galeria Metrópole

Por Matthew Shirts 25 jul 2014, 23h00 | Atualizado em 5 set 2025, 17h36
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“É legal, mas não entendo o que você vê de tão especial neste lugar”, diz o meu filho caçula, Samuel, de 11 anos, no 2º andar da Galeria Metrópole, na Avenida São Luiz. Paro para formular uma resposta. Quero que ele entenda. Aponto para a Praça Dom José Gaspar, embaixo, ali do lado. Devem ser quase 13 horas, no sábado. Já há gente comendo feijoada. Dá para ouvir o entusiasmo da hora do almoço, ainda delicado, e sentir o cheiro. Saio-me com esta: “Existe aqui uma noção antiga e elegante de espaço que me atrai, a mim e a muita gente. Os corredores e o pé-direito são maiores do que nos shoppings atuais. Há um jardim interno. O edifício se abre para a rua, para a calçada e para cima”. Samuel ouve, mas não parece se comover com meu argumento. Observa que as escadas rolantes do lugar são muito estreitas e me pergunta se é lá mesmo que vamos comer.

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Minha fascinação pelo endereço é recente. Fui levado para lá pela primeira vez não faz três meses, um pouco antes da Copa do Mundo, pela minha amiga Cris, que é editora de arte e fotografia. Ela desconfiou que eu fosse gostar. Tinha razão. Não sei como consegui viver durante 25 anos em São Paulo sem frequentar a galeria. Entrei na internet para saber mais. Descobri uma propaganda de 1960 em O Estado de S. Paulo que anunciava um “centro metropolitano de compras com a maior concentração de lojas da América Latina”. Sofre, pelo que consigo entender, com a decadência do centro, já a partir das décadas de 70 e 80. Hoje, está de volta à moda. Escritórios pós-modernos de arquitetura e design convivem, nos andares de cima, com lojas de câmbio e turismo e alfaiates à antiga. Na parte de baixo há bares e restaurantes animados.

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Quando conto a descoberta para a minha filha Maria, de 23 anos, ela confirma: “É muito hype. A balada do Santo Forte é lá agora, no antigo Cine Metrópole. Tem um bar hipster bacana também, chamado Mandíbula”. Conseguira marcar com a Maria em um restaurante que ela ainda não conhece, ali perto: o Ita, na Rua do Boticário, logo atrás do Largo do Paissandu. É só um balcão. Para irmos ao encontro dela, Sammy e eu saímos a pé da Galeria Metrópole por uma ruazinha lateral, a Basílio da Gama, que merece uma tarde inteira de exploração, calculo.

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Ganhamos a Ipiranga e atravessamos a São João. Descubro, em voz alta, para minha surpresa e para desespero do meu caçula, que sei de cor a letra inteira de Sampa, o hino extra oficial da nossa cidade, escrita pelo baiano Caetano Veloso. Termino um verso e, contra os protestos cada vez mais veementes do Samuel, engato o próximo. Quando será que aprendi isso? Não sou muito de cantar. Encontramos o balcão do Ita. Está do jeito que sempre foi. Parece que parou mesmo no tempo, por volta de 1958. Uma delícia. A feijoada é ótima e o pudim, um dos melhores do mundo, na minha modesta opinião. Pedimos um pedaço só, para dividir. Mas o garçom (se não me engano, chamava-se João), nos dá três, um maior e dois menores (por conta da casa). Ele sabe que ninguém é de ferro.

 

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