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Aplicativo vai de compra de comida e bebida a fila virtual do banheiro

Dpen já foi implantado em quinze eventos; em cinemas drive-in, por exemplo, um totem faz a leitura dos ingressos e também há cardápio digital

Por Fernanda Campos Almeida Atualizado em 10 set 2020, 20h47 - Publicado em 11 set 2020, 06h00

Esperar mais de uma hora na fila de um grande festival para comprar apenas uma garrafa de água foi o que motivou Luis Palomares, 28, a criar em 2019, em parceria com o diretor de operações João Mollo, 31, o Dpen, aplicativo de pagamento sem contato. Mas a chegada do novo coronavírus ao país trouxe também o cancelamento de todos os eventos da empresa. Não entrou um centavo sequer na receita da startup até junho, quando os sócios lançaram o Dpen Touchless, que oferece soluções do início ao fim de qualquer tipo de apresentação.

A experiência começa logo na entrada. Em cinemas drive-in, por exemplo, um totem faz a leitura dos ingressos dos participantes sem que precisem sair do carro. Na vaga escolhida, o cliente acessa o aplicativo por meio de um QR code, que oferece o cardápio digital. O pedido e o pagamento (com todo tipo de cartão) são feitos na mesma plataforma e o garçom faz apenas a entrega em uma bandeja. Se precisar ir ao toalete, basta acessar uma fila digital. Há um segundo sistema que se conecta ao celular do cliente e indica quando a cabine do banheiro está disponível e higienizada para o próximo usuário. Além disso, a tecnologia oferece dois canais de bate-papo: um de comunicação com a organização do evento para possíveis imprevistos ou reclamações, e um chat para interação (ou até paquera) com outros espectadores.

Segundo Palomares, o Dpen Touchless é o único Progressive Web App (PWA) — aplicativo que não precisa de download ou instalação, sendo acessado pelo navegador — do Brasil. A ferramenta foi pensada junto ao projeto Cine Stella, drive-in localizado na Arena Estaiada, Zona Sul, inaugurado em 12 de junho e com capacidade para 100 carros. Os sócios do espaço tiveram de negociar com a prefeitura e outros órgãos públicos um protocolo de segurança de abertura no meio da pandemia. “Precisávamos garantir ao governo, aos organizadores e ao público que as pessoas não encostassem umas nas outras”, explica Palomares. A tecnologia foi peça-chave para que os paulistanos pudessem assistir a filmes fora de casa novamente.

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Luis Palomares: fundador da Dpen Divulgação/Divulgação

Logo depois, o recurso foi implantado em outros eventos no Complexo Parque Estaiada. O Varanda Estaiada, restaurante temporário cujo carro-chefe são as carnes e o primeiro evento gastronômico a céu aberto desde o início da quarentena em São Paulo, usa o sistema desde a abertura, às 14 horas, até a saída do último cliente, às 22 horas.

“Meu jantar superou minhas expectativas. Sou o tipo de pessoa que odeia pegar filas e não passei por nenhuma, nem para ir ao banheiro. Senti-me seguro e não tive aquela experiência desagradável de ter o garçom me pressionando na hora de fazer o pedido”, conta Raphael Lima, 28, que foi ao Varanda com amigos.

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O complexo já tem novos planos para os paulistanos com uso do aplicativo. “No campo de futebol que fica atrás do drive-in, planejamos criar um bar a céu aberto, em outubro, para 1 000 pessoas. Mas, por ser uma quantidade alta de frequentadores, primeiro precisamos que a cidade entre na fase verde do Plano São Paulo (programa de flexibilização da quarentena)”, explica Bob Dannenberg, 27, proprietário do Complexo Estaiada.

Dos quinze eventos que implantaram a Dpen Touch less no país, oito foram na cidade de São Paulo. “Já sabíamos que o contato para fazer pedidos seria eliminado, mas não como seria na prática. É inviável sair de um estádio lotado durante um jogo para comprar algo para comer, por exemplo. Se apps de entrega já levam comida até a casa das pessoas, por que não uma ferramenta que entregue pedidos na cadeira do cliente?”, diz Palomares.

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A câmera detecta o QR code e abre o cardápio digital no celular Flashbang/Divulgação

A programação da casa temática de country e sertanejo Villa Country, na Zona Oeste, também apostou na tecnologia na reabertura, no dia 8 de agosto (foram quatro meses de portas fechadas), e em edições do Feijoada do Villa, que oferece “open” do prato brasileiríssimo. Para eventos sem uso de automóvel, o aplicativo criou a função de “fila de saída”, para evitar aglomeração no aguardo do vallet ou de carros cadastrados em aplicativos na hora de voltar para casa. Como tudo já é pago quando se faz o pedido, dispensa-se o caixa e a espera para fechar a comanda.

No total, entre o dia do lançamento, 11 de junho, e a primeira semana de setembro, foram registrados 100 000 carros em seis drive-ins no estado e 10 milhões de reais em transações pelo aplicativo.

Os fundadores planejam expandir o serviço para todas as capitais e começar a atuar em eventos sem lugares marcados, como shows. O Espaço das Américas, por exemplo, já está mapeado no sistema da Dpen, apenas esperando a capital paulista dar sinal verde para esse tipo de evento retornar com segurança.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 16 de setembro de 2020, edição nº 2704.

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