Avatar do usuário logado
Usuário

Série analisa PCC com depoimentos de ex-membros, familiares e autoridades

"PCC: Poder Secreto" está disponível na HBO Max

Por Barbara Demerov
27 Maio 2022, 06h00 • Atualizado em 27 Maio 2024, 21h57
Inscrito na parede verde água, em vermelho, está "Aquilo que o homem semear, isso mesmo colherá"
Série documental da HBO Max: o impacto do PCC  (HBO MAX/Divulgação)
Continua após publicidade
  • A organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), criada em São Paulo em 1993, ainda segue em expansão não apenas no estado, como também em todo o país (em 2019, o Ministério Público do Estado de São Paulo estimou que a facção possui mais de 100 000 membros). Desde então, compreender seu surgimento tornou-se uma tarefa complexa.

    O livro Irmãos: Uma História do PCC (2018, Companhia das Letras, 408 páginas, R$57,90), do sociólogo Gabriel Feltran, mergulha no modo de organização desse que é o maior grupo criminoso da América Latina. Diante da análise detalhada, a obra serviu de inspiração para a produção de uma nova série documental da HBO Max, intitulada PCC: Poder Secreto. Dirigido por Joel Zito Araújo e já disponível no streaming com episódios de 45 minutos, o título conta a trajetória histórica do PCC em linha cronológica e descreve os bastidores do ambiente prisional.

    + Vereador é condenado por xingar colega de “judeu filho da p…*” em sessão 

    À Vejinha, Feltran, que participou ativamente da produção da série ao lado de Araújo, afirma que o tema da violência não está mais restrito a somente um universo social e deve ser central para todos. “O debate sobre segurança pública no Brasil é pobre, no geral. A gente pensa em segurança pública como repressão. Com o documentário, queremos provocar discussões a respeito do tema que escapem da polaridade ‘trabalhador versus bandido’.”

    O sociólogo também aponta que os personagens são, majoritariamente, ex-membros e pessoas que foram afetadas pelo PCC de alguma forma. “Queremos escapar dos extremos e mostrar uma realidade cotidiana que, ao mesmo tempo, demonstre toda a complexidade do assunto.” Araújo complementa: “Os entrevistados são, antes de tudo, humanos. A entrada de muitos na criminalidade se dá pelas razões mais humanas possíveis”.

    Continua após a publicidade

    O diretor relembra uma das primeiras entrevistas que fez para o documentário, quando conheceu Orlando Mota Júnior, o “Macarrão”. “Ele foi uma das grandes figuras do Comando. Chegou algemado, dos pulsos aos tornozelos. Pedi para os policiais tirarem as algemas e isso ajudou na relação. No fim, essa forma de conduzir entrevistas acaba virando uma terapia. Eu não tinha a mínima ideia de como era sua personalidade, mas ele se abriu. Está passando por um processo de arrependimento depois de tudo o que viveu”, recorda. Araújo também reflete sobre a brutalidade dentro do sistema presidiário — algo que, segundo ele, “apenas reforça o PCC”.

    “Temos de enfrentar a criminalidade com vigor, mas vigor não significa desrespeito, porque isso só vai dar perenidade à organização”, diz. Sobre as razões pelas quais o PCC se expandiu ao longo dos anos, Feltran dispara: “É só a gente olhar para o passado. O anexo da Casa de Custódia de Taubaté, onde nasce o PCC, era a unidade de castigo. Todos os presos considerados muito violentos e indisciplinados eram castigados. Era onde se produzia o máximo de repressão para que não houvesse resistência, mas é de lá que surge a principal resistência a esse mesmo sistema, que se elabora como uma máquina criminal que só cresce desde então”.

    +Assine a Vejinha a partir de 12,90. 

    Continua após a publicidade

    Publicado em VEJA São Paulo de 1 de junho de 2022, edição nº 2791

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês