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Patins: misto de nostalgia e adrenalina ao deslizar pela cidade

Nos parques e até em baladas, o equipamento volta a ganhar adeptos de todas as idades e conquistam famílias como alternativa para se divertir ao ar livre

Por Humberto Abdo Atualizado em 11 nov 2021, 22h35 - Publicado em 12 nov 2021, 06h00

Das pistas de dança ao Vale do Anhangabaú, uma atividade bem popular nos anos 1980 vem conquistando os paulistanos mais uma vez. São os patins, que retornaram como opção de exercício ao ar livre durante a pandemia e atraem crianças e adultos com mais de dez modalidades. 

“Sabe aquele sonho de criança? Eu nem sabia que era algo aberto a todas as idades até decidir começar com a minha filha”, conta Damaris Baldacci, 40, que passou a praticar há quatro meses. “Os tombos são muitos. Tem sido uma maneira de superar desafios e, no caso dela, aprender a lidar com as frustrações.”

O misto de nostalgia e adrenalina ao deslizar pela cidade se tornou a combinação perfeita para unir pais e filhos desde o início da quarentena. “Eu não fazia isso havia trinta anos até a minha filha de 8 anos se interessar”, diz Claudia Del Bel, 47, mãe de Hanna. “Ela é muito melhor que eu, mas me surpreendi ao conseguir ficar de pé quando decidi comprar meu próprio par.” Elas começaram na sala de casa, mas logo a pequena migrou para as aulas organizadas pelo Colégio Pentágono — que hoje tem até lista de espera para novos alunos. 

Na unidade de Perdizes, quem coordena os treinos é Alex Cigano, 41, que descobriu a patinação em 1993, após desistir do sonho de jogar futebol. “Praticamente todo mundo já patinou na infância porque comprava aqueles modelos de supermercado… Não recomendo esses porque machucam os pés, a criança se frustra e acaba desistindo”, ressalta.

Boas opções têm valores que variam de 600 a 2 000 reais e, entre as muitas vertentes, existem dois modelos principais: o inline, com as rodas dispostas em uma linha única, e o quad, a versão clássica com quatro rodas. 

E não faltam locais adequados para se aventurar em São Paulo. Para quem quer começar, os professores indicam o Parque Ibirapuera, o Villa-Lobos e o Centro de Esportes Radicais, no Bom Retiro.

Um dos alunos de Cigano, o personal trainer Alessandro Moretto, 45, frequenta o Vale do Anhangabaú, favorito dos patinadores e skatistas. “Eu já pratiquei balé contemporâneo e a dança me ajudou muito no equilíbrio, mas o mais importante é ter força de vontade… Patinação não tem idade”, defende. “Quando fui comprar os meus patins, uma senhora de 80 anos andou dentro da loja e deu um show. Foi uma inspiração.” 

As baladas sobre rodas são outra categoria, com endereços em São Caetano do Sul, Mooca e Moema. “É uma pista coberta com direito a DJ, luzes e professores”, descreve a nutricionista Paula Coutinho, 44, que patina há quase dez anos e identificou vários benefícios físicos. “É ótimo para a mulherada, o melhor exercício para o bumbum e para acabar com a celulite!” 

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Para Robson Corvo, 49, a paixão pelos patins nasceu após ter visto alguém deslizar pela Avenida Rio Branco. “Nos anos 1990 era algo muito novo no Brasil, mas descobri uma pista próximo ao Shopping Center Norte, fervendo de gente bonita, e pirei com a novidade.”

Anos depois, sua carreira como professor de patinação deslanchou por acaso. Na época, ele trabalhava como entregador de jornais e participou de um evento no Ibirapuera antes do expediente. “Depois de entregar todas as cópias, cheguei em casa e descobri que minha foto nos patins tinha saído na capa daquela edição… Sem saber, fiz minha própria divulgação.”

Homem de patins, macacão jeans e camiseta listrada vermelha e rosa apoiado com um pé só e em posição horizontal.
Robson Corvo: patins nos pés há quase trinta anos. Arquivo pessoal/Reprodução

Desde então, sua “relação” já dura 29 anos. “A ideia é ensinar que os patins se tornem uma extensão do seu corpo. É uma atividade que traz muito prazer mental, porque fisicamente estou sempre dolorido”, brinca. Para ele, não faz sentido chamar de moda essa onda de novos adeptos, que já foi bem maior.

“Antigamente tinha balada de patins com quase 1 500 pessoas, e eu mesmo cheguei a ter alunos todos os dias… Aos sábados e domingos, eram sempre cerca de 25 a trinta pessoas.” A vontade, agora, é retomar o sonho antigo de criar um patinódromo na capital. “Existe um projeto, adiado pela pandemia, e falta encontrar patrocínio ou apoio político. Enquanto isso, dedico minha vida aos novos patinadores.”

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Publicado em VEJA São Paulo 17 de novembro de 2021, edição nº 2764

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