Edifício Copan anuncia volta do cinema e pacote de obras de R$ 68 milhões
Projetado por Oscar Niemeyer, o cartão postal celebra sessenta anos com mais uma etapa de revitalização
Um dos cartões-postais de São Paulo, o Edifício Copan entra em nova fase de revitalização. Nas últimas duas semanas, o prédio foi assunto por duas boas notícias. Primeiro deles, o anúncio da reabertura de seu antigo cinema, fechado há quatro décadas. Agora, está a caminho um novo pacote de modernizações que visam à sua atualização, sem descaracterizá-lo.
Projeto da Viva do Brasil patrocinado pelo Nubank, o cinema passará a se chamar Nu Cine Copan, com a proposta de ser um complexo cultural multiúso. As obras começam em maio, mês em que o Copan completa sessenta anos, e a conclusão está prevista para 2027. “A ideia é manter o mais próximo possível da estética original. A sala será modernizada. Terá uma inclinação maior e tela LED, mas as áreas comuns vão resguardar o estilo modernista”, explica José Aragão, CEO da Viva do Brasil. Com capacidade para 440 pessoas, terá sistema de som Dolby Atmos de última geração, tela de 17 metros de largura e acessibilidade.
Além de filmes, o espaço receberá eventos, shows, peças — como Hamlet, Sonhos que Virão, ora em cartaz — e intervenções artísticas promovidas pelo Pivô. Há quinze anos, a organização, dedicada à arte contemporânea e à experimentação cultural, administra o mezanino, área que pela primeira vez será integrada ao cinema como espaço de convivência. “Queremos que os visitantes sejam surpreendidos com diversas atividades. O cinema normalmente é um lugar de passagem, com horário definido. Pensando nesse complexo cultural, a gente entende o Cine Copan como lugar de estar”, declara Jaqueline Santiago, diretora-executiva do Pivô, que terá seu espaço renovado e compartilhará um escritório com o cinema.
A área de 1 500 metros quadrados passa a dialogar com a programação, com exposições relacionadas ao que estiver em cartaz: “A ideia é que a gente, cinema e Pivô, realmente seja ‘contaminado’ um pelo outro no dia a dia do nosso trabalho”.
A reinauguração do Cine Copan vai ao encontro do projeto de requalificação aprovado no início deste mês pelo programa de subvenção econômica da prefeitura de São Paulo. Viabilizado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, o investimento de 13,3 milhões de reais garante cerca de 22% do valor das obras para melhorias, orçadas em 68 milhões de reais. “Recebemos alunos de arquitetura do mundo todo, é um patrimônio que precisa ser restaurado. Temos aprovada a projeção de publicidade na fachada como contrapartida para a captação de recursos”, comenta o novo síndico, Guilherme Milani.
Entre as modernizações previstas estão a recuperação integral da fachada, atualmente afetada por problemas como descolamento de pastilhas e fissuras. Segundo a prefeitura, os pagamentos serão parcelados conforme o restauro avance e seja comprovado tecnicamente pela fiscalização municipal. “É uma obra complexa. São milhares de pastilhas. E precisa levar em conta os problemas que ela pode porventura ter, como vazamento e infiltração”, explica Elisabete França, secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento.
A revitalização também prevê a remoção de elementos que descaracterizam a estética do espaço, como fiações expostas, vedações irregulares em janelas e o fechamento indevido de vãos, além de recomposição dos cobogós da fachada sul e padronização de letreiros comerciais. É aguardar as melhorias.
Publicado em VEJA São Paulo de 20 de fevereiro de 2026, edição nº 2983.





