Feito joia
Raridade, exclusividade, apelo artesanal e preços muitas vezes astronômicos ditam a nova geração de bolsas e sandálias
Na última década, a portentosa entrada de dinheiro novo em circulação obrigou as marcas de moda de elite a descer do salto. Para saciar a sede de consumo do logo, Chanel, Dior, Givenchy e afins borrifaram no mercado produtos que oferecem o perfume (o esmalte, o batom) da grife a um preço mais democrático. O fenômeno gerou até termo: mastígio, junção das palavras “massa” e “prestígio”. Como toda ação tem uma reação à altura, as mesmas grifes trataram de se dedicar àquilo que fazem como poucos e que, de fato, lhes garantiu a fama: peças em edição limitada (não raro, únicas), feitas a mão, com matéria-prima excepcional. E com cifras longe de ser populares. “Há um desejo por objetos raros, que se distanciem da linha industrial e durem muito mais do que uma temporada”, afirma Concetta Lanciaux, ex-executiva do grupo LVMH, dono da Louis Vuitton, e hoje à frente de uma consultoria situada em Genebra, na Suíça.
Comprar produtos extra especiais sempre foi a alma do negócio, independentemente do preço, para certa casta de consumidores. O baque financeiro de 2008, no entanto, provocou uma crise da consciência consumista, abrindo espaço para o fenômeno agora chamado de “luxo absoluto”. Em poucas palavras, há cada vez mais gente interessada em comprar menos (quantidade) e melhor (qualidade). “Não se trata de poder aquisitivo, mas de uma clientela cada vez mais informada e exigente, que não se contenta com pouco ou com algo que muitas pessoas podem possuir”, diz Edoardo Caovilla, CEO da italiana René Caovilla e filho do sapateiro italiano. Da fábrica de Fiesso d’Artico, no Vêneto, saem pares com custo médio de 700 euros, que René sempre definiu como “objetos de arte” — muitos criados para combinar com vestidos de alta-costura de Valentino Garavani e da Maison Dior, no passado. Com a sandália Nyssia, que abre esta reportagem, os Caovilla inauguraram o fenômeno há cinco anos. Criaram uma joia para os pés. No salto revestido de cetim de seda prata ou vermelha (com a possibilidade de ser clipada na tira da frente), mora uma cobra de ouro branco, olhos de rubi e corpo cravejado de diamantes e safiras azuis, num total de 20,60 quilates de pedras. Preço: 90 000 euros.
Acostumado a usar crocodilo — um dos couros mais caros do mercado (uma bota de cano médio custa cerca de 22 000 dólares) —, Christian Louboutin também recorreu à edição limitada para comemorar duas décadas da marca, completadas neste ano. A coleção revisita vinte modelos icônicos do sapateiro (os favoritos dele), além de apresentar seis versões de bolsa. Um dos destaques é a sandália Pluminette, de crepe de seda, lurex, pompons, plumas e salto 12 (2 450 dólares). Louboutin mantém ainda um ateliê de sapatos sob medida em Paris e aceita encomendas de bolsas de festa. Lá, ele se refestela usando tecidos do século XVII.
Bolsa, de fato, é o território preferido das marcas para criar objetos de desejo absoluto. A Fendi fez o modelo Peekaboo, que, por 2 500dólares, tem lugar garantido na lista de compras das obcecadas por moda, nas versões pele de mink ou crocodilo. Não só custavam o quádruplo das de camurça e couro como ficaram nas lojas por apenas um mês. A Burberry mesclou crocodilo e ráfia num modelo que bate os 56 000 reais. A Gucci reeditou um dos seus clássicos, a bolsa 1970, também de crocodilo. A versão não deve chegar às lojas brasileiras, mas pode ser encomendada. Custa 31 000 dólares. Mantida como um segredo bem guardado pelas europeias, a Gherardini, fundada em 1885, em Florença, apresenta a Pretiosa, desenhada em homenagem a Leonardo da Vinci. De couro de vitelo, a bolsa vem acompanhada por um libreto sobre a obra do pintor e tem alça de bronze com relevos esculpidos a mão, que reproduzem o desenho original do artista (2 479 euros). Quem acredita que o luxo absoluto mira apenas pezinhos e ombros femininos se engana: a Gucci já reservou espaço na primeira loja masculina das Américas, aberta em agosto no Shopping JK Iguatemi, para os calçados sob medida. A nova Louis Vuitton do Cidade Jardim tem sala para bolsas sob encomenda — com direito à exibição das peças de couro para facilitar a escolha do material. Para eles se amarrarem de vez na tendência, por que não uma gravata de seda com fios de ouro 24 quilates (360 dólares)? É a compra certa para quem quer luxo absoluto com cifras de mastígio.
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