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Um Porshe de cara nova

Repaginado, o Boxster S fará frente ao lendário 911 da marca alemã. E o melhor: acaba de chegar ao Brasil

Por Joaquim Oliveira, de Stuttgart. Fotos Paulo Maria
10 nov 2012, 00h00 • Atualizado em 5 dez 2016, 16h38
porsche james dean
porsche james dean (Paulo Maria/)
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  • Por décadas, o Boxster foi desprezado pelos pilotos diletantes e fãs da Porsche. Comia a poeira, por assim dizer, levantada pelo motor traseiro do 911. Criado em1963 por Ferdinand “Butzi” Porsche, neto do fundador da fábrica, o carro-chefe da montadora alemã sempre teve lugar garantido no olimpo. Desde junho, no entanto, após a repaginação do Boxster, com seu motor central, o lendário 911 ganhou um concorrente, segundo os especialistas, à altura. As mudanças, como manda a cartilha Porsche, são sutis, mas de impacto. VEJA LUXO testou em Stuttgart o Boxster S, o mais potente da linha. A máquina, que atinge100 quilômetros por hora em 5,8 segundos, começou a ser vendida por aqui em agosto — vai custar 449 000 reais, 30% a menos do que o modelo mais acessível do 911.

    “Este é um carro para quem quer se divertir na estrada”, diz o presidente da Porsche alemã, Klaus Zellmer. À primeira vista, a traseira sofreu mais alterações. Perdeu a tampada capota (o teto de lona foi alargado em 12 centímetros e agora é aberto ou recolhido como auxílio de um botão ou por controle remoto, numa operação de nove segundos). Ganhou lanternas com luzes de LED e canos de escape de saída dupla. Na frente, os faróis foram redesenhados para se acomodar numa carroceria 3,2 centímetros mais larga que a da segunda geração, de 2005. A distância entre-eixos aumentou 6 centímetros, e o console central foi elevado. Ou seja, há mais espaço no interior do veículo. Na instrumentação, a novidade é uma tela de alta resolução do computador de bordo. O boxer conserva seus 6 cilindros, mas rende 315 cavalos (5 a mais que antes) e eleva a velocidade de ponta a 279 quilômetros por hora (ante 277 do passado), sem consumir mais. Parte dos ganhos em performance se deve à diminuição do peso do carro: 47% da carroceria agora é de alumínio, num total de 35 quilogramas a menos. O novo metal garante, junto com os reforços estruturais, o ponto alto dessa terceira geração: estabilidade. Seguindo a marcha do 911, a direção é elétrica, o que a torna precisa para correr na estrada e suave para manejar na cidade. É nesse ponto que o novo Boxster faz jus à linha de produção de Stuttgart.

    O 356 — modelo número 1 da família — nasceu, também com motor boxer, para circular bem na cidade e desembestar na estrada. Tetravô do Boxster, o 356 tinha 35 cavalos de potência e chegava a 135 quilômetros por hora. Em 1955, veio o sucessor: o 550 Spyder. Leve — 590 quilos — e com boxer de 110 cavalos, o Spyder atingia 220 quilômetros por hora. Foi adotado imediatamente pelo ator James Dean, então com 24 anos, que trocou o Porsche Speedster pelo modelo semanas antes de participar de uma corrida amadora, marcada para o início de outubro daquele ano. A caminho de Salinas, na Califórnia, em 30 de setembro, o Spyder de inscrição 130 foi atingido por um Ford Custom. O acidente fatal marcou os carros boxer da Porsche. Só há dezenove anos, com o protótipo do Boxster da primeira geração apresentado no Salão do Automóvel de Detroit, nos Estados Unidos, a montadora alemã fez as pazes com o roadster de motor central. Desde então, nenhuma das mudanças sutis o havia libertado do estigma de nascença: o de ser o mais acessível, o menos exclusivo, o menos eficaz na estrada e o menos divertido de dirigir da família. Comos ajustes promovidos pela montadora sexagenária, hoje comandada pelo Grupo VW, comprova-se o dito popular: mais cedo ou mais tarde, os últimos serão os primeiros.

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