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“Esse disco chega mais na alma”, diz Tim Bernardes sobre novo álbum

Mil Coisas Invisíveis, lançado na noite desta terça-feira (14), é o nome do novo trabalho do cantor e compositor paulistano, também membro da banda O Terno

Por Tomás Novaes 15 jun 2022, 16h20 | Atualizado em 5 jun 2026, 09h35
Imagem mostra homem de cabelo comprido e bigode de olhos fechados tocando um violão verde
O cantor e compositor paulistano Tim Bernardes. (Marco Lafer e Isabella Vdd/Divulgação)
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Após uma espera de cinco anos, o aguardado segundo disco solo do cantor e compositor paulistano Tim Bernardes, Mil Coisas Invisíveis (2022), veio ao mundo na noite desta terça-feira (14).

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Com 15 faixas, o álbum duplo, lançado pelo Coala Records, selo do Coala Festival, é o sucessor do estreante Recomeçar (2017). O tempo entre os dois não foi silencioso – em 2019, com sua banda O Terno, Tim lançou o disco Atrás/Além, e, nos últimos anos, teve canções gravadas por Gal Costa, Maria Bethânia e Alaíde Costa e compôs parcerias com nomes como Jards Macalé e Erasmo Carlos.

Sem a melancolia matriz do antecessor, Mil Coisas Invisíveis traz canções envoltas por uma sonoridade que une os dois trabalhos: arranjos de produção minimalista, guiados por violão acústico ou piano, com presença de cordas. A nova leva de canções é mais diversificada – seja nos temas abordados, por vezes mais amplos e espirituais, seja na própria estrutura das composições, ora com letras prolixas (que lembram a lírica do compositor paulistano Maurício Pereira, pai de Tim), como no conto-canção Última Vez, ora com textos concisos, como em Falta.

Imagem mostra homem de suéter verde e calça branca sentado em mureta de pedra. A imagem é preenchida por um contorno verde.
A capa do disco Mil Coisas Invisíveis. (Marco Lafer e Isabella Vdd/Divulgação)
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“A maioria das músicas foram feitas antes da pandemia. É um disco um pouco mais eclético do que Atrás/Além (2019) e Recomeçar (2017), que giram em torno de um tema só, cada um”, disse Tim em entrevista à VejinhaEntre os frutos pandêmicos, as canções que abrem o disco: Nascer, Viver, Morrer Fases. “Eu quis começar com elas duas para dar esse tom do disco – que é o que o diferencia de Recomeçar (2017). É um disco mais do espanto com a presença não-material da existência, ele tem um lado mais astral”, conta.

Sobre o título, Mil Coisas Invisíveis, Tim detalha o sentimento que inspirou o mote do álbum: “Eu acho que esse disco chega mais na alma. Ele pega esse sensação que a pandemia me trouxe que, quando a gente para, quando a gente tá quieto, a gente continua existindo. É esse ‘só ser’ que o Gil fala em Preciso Aprender a Só Ser: a simplicidade de você reparar que existe”.

Paisagens paulistanas, com citação de bairros como Santa Cecília, em BB (Garupa Amarela), e da Avenida Pompéia, em Velha Amiga, permeiam as letras. “Eu tive um jeito mais livre de compor as canções desse disco. Eu comecei a entender que o específico às vezes é um ingrediente que consegue falar ainda mais diretamente com as pessoas”, conta. Liberdade que rendeu, também, uma autorreferência jocosa no título da música A Balada de Tim Bernardes.

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“É uma coisa de entender que o personagem já existe, eu querendo ou não. Eu já sou também uma persona do que as pessoas acham que eu sou. Então jogar um pouco com essa mística, que nem o Dylan fazia em Bob Dylan’s Dream, ou em a Balada de John e Yoko, tem a ver com estar em um momento em que faz sentido bancar esse tipo de coisa”, disse Tim.

Sobre as pressões do cenário musical contemporâneo em trazer, à cada passo na carreira, grandes novidades ou reformulações, Tim não se mostra abalado. “Acho que sobre isso de trazer coisas modernas eu não sinto uma pressão. Eu comecei a fazer música justamente não acreditando muito nessas máximas. Às vezes uma coisa de 1966, quando é contextualizada, representa uma novidade maior até do que a sonoridade da última banda indie”, diz. “Agora, retrô eu não tenho vontade de soar”, completou Tim.

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Apesar do lançamento, as apresentações ao vivo do novo trabalho vão demorar um pouco para chegar aos palcos brasileiros. Isto porque o músico fará os shows de abertura da turnê americana da banda indie-folk Fleet Foxes, entre junho e julho. “Vai ter um lado de me reaquecer a fazer show, de experimentar algumas dessas canções ao vivo, mas eu acho que quando chegar aqui vou ter que preparar um show do disco – lá é uma apresentação para um público de fora”, disse o músico.

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