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‘Ópera do Malandro’ renova clássico de Chico com força política e visual

Espetáculo protagonizado por José Loreto e dirigido por Jorge Farjalla está em cartaz no Teatro Renault

Por Fabio Codeço
12 fev 2026, 14h01 •
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Max Overseas baleado: montagem alegórica e contundente (Gatú Filmes/Divulgação)
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  • Concebida por Jorge Farjalla com direção musical de Gui Leal, Ópera do Malandro — Musical, em cartaz no Teatro Renault, é uma versão inédita do clássico de 1978 de Chico Buarque, que adaptou para a realidade brasileira as obras A Ópera do Três Vinténs (1928), do alemão Bertolt Brecht (1898-1956) e A Ópera do Mendigo (1728), do inglês John Gay (1685-1732).

    No centro está Max Overseas (José Loreto), contrabandista que se casa às escondidas com Teresinha (Carol Costa), filha de Duran (Ernani Moraes) e Vitória Régia (Totia Meirelles), donos de um bordel. Entre chantagens e alianças promíscuas com o delegado Chaves (Amaury Lorenzo, irreconhecível), instala-se uma guerra de interesses em que todos negociam vantagens morais e financeiras.

    Comentário contundente sobre intolerância, hipocrisia e jogos de poder, a leitura de Farjalla mergulha no sincretismo da umbanda, evocando as entidades do “povo da rua” como camada simbólica para as personagens.

    A encenação aposta em atmosfera festiva e num tom melodramático reforçado pelo visagismo de Simone Momo, que transforma a maquiagem em máscaras, e os sofisticados figurinos de Ùga Agú e Farjalla.

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    Valéria Barcellos como Geni: aplaudida de pé (Gatú Filmes/Divulgação)
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    É no número de Geni, vivida por Valéria Barcellos, aplaudida de pé por sua interpretação visceral, que a montagem explicita um de seus eixos mais fortes. Ao sublinhar a violência dirigida à personagem — alvo de desejo e, ao mesmo tempo, de repulsa coletiva — duplicada na atriz Marina Mathey, também trans, que performa em sincronia com Valéria, cria um libelo contra a homofobia e outras exclusões. É impactante ver a enorme bandeira da comunidade transgênero cravejada de tiros flamulando no centro do palco enquanto o coro acusatório pede seu apedrejamento.

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    (Gatú Filmes/Divulgação)

    Farjalla reafirma a vitalidade da obra de Chico Buarque, que com sátira, lirismo e crítica social, encanta, mas também alerta (120min). 14 anos.

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    Teatro Renault. Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411, Bela Vista. → Sex., 21h. Sáb., 17h e 21h. Dom., 15h e 19h. R$ 50,00 a R$ 350,00. Até 15/3. ticketsforfun.com.br.

    Avaliação: ÓTIMO (quatro estrelas)

    Publicado em VEJA São Paulo de 13 de fevereiro de 2026, edição nº2982

     

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