#SPsonha: projeto pensa torre no lugar de edifício que desabou no centro
Plano do arquiteto André Scarpa escancara a possibilidade de aumentar a capacidade de moradia daquele terreno, antes do Wilton Paes de Almeida
A prefeitura está em negociações com o governo federal para tentar construir moradia no terreno onde ficava o Edifício Wilton Paes de Almeida, aquele que desabou em 1° de maio de 2018, após anos de descaso público. Apesar de a iniciativa corrigir uma falha histórica (todos os prefeitos falam em habitação como a virada certeira para o centro, mas o número de unidades entregues ali é sempre irrisório), o projeto proposto é de uma timidez alarmante.
Se o antigo prédio de pele de vidro chegou a abrigar 290 famílias em seus tempos de abandono e ocupação, a proposta municipal agora é de fazer míseros 56 apartamentos de dois quartos, em um prédio que terá catorze andares, dez a menos que o antigo ocupante.
A maior culpa é da legislação paulistana, que tem favorecido o espraiamento da cidade e encareceu o metro quadrado das áreas centrais nas últimas décadas, ao limitar paulatinamente o potencial construtivo em qualquer terreno. Quando não se permite crescer para cima, nem se adensa, acaba havendo uma expansão para os lados e para as periferias.
O arquiteto André Scarpa sugere uma alternativa que, apesar de respeitar a legislação em vigor, escancara a possibilidade de aumentar a capacidade de moradia daquele terreno. “O volume construído do antigo edifício era quatro vezes maior que o do proposto pela prefeitura. A altura de 48 metros é bem inferior aos 70 metros do Wilton, que tinha dezessete vezes a área do terreno, de 650 metros quadrados, em volume de construção”, explica.
Scarpa sugere uma nova torre que tenta repetir o volume do belo edifício projetado por Roger Zmekhol em 1961, mas com dois vazios — “com possibilidade de incremento de mais unidades no futuro, se as leis evoluírem”, provoca. “Nesses dois andares vazios, caberiam mais trinta quartos de aluguel social.”
O térreo do prédio seria aberto, em conexão mais ampla com o Largo do Paissandu e uma possibilidade de passagem para a vizinha igreja luterana. Lojas na entrada estariam junto do acesso para um restaurante-escola, voltado à capacitação de pessoas em situação de rua e membros de movimentos de moradia.
Um segundo térreo, elevado, sobre o restaurante, poderia conectar-se a uma passarela de acesso ligada às paradas de ônibus da Avenida Rio Branco.
Em conversas com o incorporador André Czitrom, que constrói habitação popular no centro, ambos se deram conta de que até dentro dos limites da Operação Urbana Centro é possível acrescentar mais espaço. Um equipamento cultural não seria computado pelas regras atuais. Com o déficit de quase 500 000 moradias na cidade e a subutilização de tantos imóveis no centro, mais ousadia é bem-vinda.
Publicado em VEJA SÃO PAULO de 22 de janeiro de 2020, edição nº 2670.
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