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Vinho e Algo Mais

Por Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Você está decantando certo? Entenda os 8 níveis de oxigenação dos vinhos

Nem todos eles precisa de ar — e o excesso pode arruinar a taça

Por Marcelo Copello 10 abr 2026, 06h00 •
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Decantação de vinhos: oito níveis (Freepik/Veja SP)
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  • Decantar não é frescura nem ritual de restaurante sofisticado. É física, é química e, acima de tudo, é controle. Quando falamos em “deixar o vinho respirar”, estamos falando de oxigenação. O contato do líquido com o ar altera aromas, textura, taninos e até a percepção de acidez. O que quase ninguém percebe é que existem níveis diferentes de decantação — do quase nada ao extremo — e que cada um deles produz um resultado distinto na taça.

    O primeiro nível, que podemos chamar de nível 1, acontece quando simplesmente se abre a garrafa e se serve o vinho. A oxigenação ocorre apenas na taça. E aqui já existe uma variável importante: o formato. Uma taça grande, de bojo amplo, funciona como um minidecanter, ampliando a superfície de contato com o ar. Uma taça menor limita essa troca. Só isso já muda bastante coisa.

    No nível 2, a garrafa é aberta e mantida parada. Parece que o vinho está “respirando”, mas a verdade é que o contato com o oxigênio acontece apenas no gargalo. É uma oxigenação micro, pois o vinho se movimenta muito pouco e o resultado é quase imperceptível e demanda horas.

    Envolve uma pequena intervenção o nível 3: abrir, servir uma taça e, em seguida, devolver esta taça à garrafa. Parece estranho, mas aumenta o volume de ar interno e cria leve turbulência. É uma microaeração real, ainda que muito suave. O líquido começa a se transformar de forma perceptível, especialmente se estiver muito fechado.

    No nível 4, entra-se na decantação clássica, usando um decanter de base mais estreita ou média. Ao transferir o vinho, ampliamos a superfície de contato com o ar e aceleramos o processo. É uma oxigenação moderada, ideal para vinhos envelhecidos e delicados, que precisam ser separados de eventuais borras.

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    O nível 5 é o decanter de base larga. Aqui a superfície aumenta significativamente e a transformação é mais rápida. Taninos se arredondam, aromas se expandem. É eficiente e ideal para vinhos estruturados e jovens, que se beneficiam de aeração mais intensa.

    No nível 6, ocorre a dupla decantação: o vinho vai para o decanter e depois retorna à garrafa. A turbulência intensifica a oxigenação. Não necessariamente oxigena mais do que um decanter largo deixado por horas, mas oxigena mais rápido. É uma forma de acelerar o processo. Pode ser útil em situações nas quais tenhamos de aerar várias garrafas com apenas um decanter disponível.

    O nível 7 são os chamados aeradores, dispositivos que forçam o vinho a passar por câmaras de ar. A oxigenação é violenta e instantânea. São práticos e funcionam, mas podem ser agressivos demais.

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    E existe ainda um nível 8, raramente lembrado: a oxigenação forçada. Já foram feitos testes a sério com liquidificador. Absurdo? Sim, eu acho e raramente recomendaria os níveis 7 e 8, mas se for o caso, sugiro após estes processos colocar o vinho por alguns minutos em um decanter para que ele se reintegre após tamanho choque.

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    Sugestão de rótulos (Reprodução/Divulgação)

    FontanaFredda Barolo 2020

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    Um barolo em estilo clássico, de uma safra de vinhos acessíveis desde jovens, mas com potencial de guarda. No nariz, revela notas de cereja madura, alcaçuz, rosas, especiarias e tabaco. Paladar firme e persistente, com taninos presentes, porém refinados. Sugestão: decantação nível 4, por uma hora. R$ 494,00, da Wine.

    Recodo Cabernet Sauvignon 2023

    Do produtor Cremaschi. Feito com uvas cabernet sauvignon, do vale Central, no Chile, sem safra (mistura de safras), sem madeira (feito em inox). Rubi claro. Aroma de frutas vermelhas e nota herbácea. Paladar leve e macio, acidez moderada, vinho simples para o dia a dia. Sugiro decantação nível 1. R$ 49,90, da Evino.

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    Publicado em VEJA São Paulo de 10 de abril de 2026, edição nº 2990.

     

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