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Desbravando com Monique

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Aos domingos, a comunicadora e empreendedora, que também atua como estrategista da nova economia, trará crônicas e insights sobre cultura e lifestyle urbano, tendo São Paulo como vitrine e ponto de partida, sem deixar outras pontes pelo Brasil e o mundo

Duquesa, Péricles e Gil: Tem tanto Brasil pra ouvir no Tiny Desk

A versão brasileira do projeto da NPR está sendo, episódio a episódio, um espelho da nossa pluralidade musical

Por Monique Evelle 8 mar 2026, 08h00
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Duquesa no Tiny Desk Brasil (Divulgação/Divulgação)
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Tem uma coisa que eu aprendi percorrendo essa coluna que a música brasileira é um território sem fim. Toda vez que acho que cheguei numa borda, aparece uma brecha nova, um sotaque que eu não conhecia, um artista que ressignifica tudo o que eu pensava saber sobre um gênero. Desbravar, nesse sentido, não é só descobrir o que é novo, mas também redescobrir o que estava ali o tempo todo, esperando que a gente prestasse mais atenção.

O Tiny Desk Brasil chegou em outubro de 2025 fazendo exatamente isso. O projeto é a versão brasileira do formato criado pela rádio americana NPR, aquele em que artistas tocam ao vivo, sem holofotes, sem distância, só música e câmera. Uma mesinha de escritório que já recebeu Adele, BTS e Taylor Swift. Agora, finalmente, também recebe o Brasil.

E a curadoria do projeto é um convite a desbravar. Péricles chegou e transformou o estúdio numa roda de samba e lembrou que o pagode, gênero que resistiu décadas de preconceito cultural, sempre mereceu esse tipo de palco. Liniker, primeira artista transgênero brasileira a vencer um Grammy Latino, trouxe um R&B que é só dela, construído na encruzilhada entre o soul americano, a MPB e uma vida inteira de experiências que a música carrega sem precisar explicar. Gilberto Gil abriu a temporada de 2026 com os netos Flor e Bento ao lado, e ali estava, comprimida numa única cena, a ideia de que desbravar também é entender de onde a gente vem. A herança não como peso, mas como ponto de partida. Duquesa, em março, reuniu uma banda toda feminina e reinventou suas próprias composições com fome de se desafiar.

É isso que me move nessa coluna e é isso que o Tiny Desk Brasil parece entender. A música brasileira não precisa de mais espetáculo. Ela precisa de escuta, de uma câmera honesta, de um espaço sem artifício, de alguém disposto a sentar e prestar atenção. Tem tanto Brasil para ouvir. A gente mal começou.

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