“W.E. – O Romance do Século”
Por Miguel Barbieri Jr. A cantora Madonna virou diretora de cinema. “Filth and Wisdom” (2008), seu primeiro filme, nem sequer passou pelo Brasil. Sua segunda investida atrás das câmeras foi igualmente tratada com desdém no Festival de Veneza no ano passado. Não era para tanto. Este drama romântico pode ter alguns momentos pretensiosos, mas, no […]
Por Miguel Barbieri Jr.
A cantora Madonna virou diretora de cinema. “Filth and Wisdom” (2008), seu primeiro filme, nem sequer passou pelo Brasil. Sua segunda investida atrás das câmeras foi igualmente tratada com desdém no Festival de Veneza no ano passado. Não era para tanto. Este drama romântico pode ter alguns momentos pretensiosos, mas, no fim das contas, resulta num longa-metragem envolvente. Parte da trama foi abordada em “O Discurso do Rei”. Em 1936, o rei britânico Eduardo VIII (1894-1972), interpretado por James D’Arcy, abdicou do trono em favor de seu irmão, Bertie, o gago. O motivo: Edward estava apaixonado por Wallis Simpson (1896-1986), papel de Andrea Riseborough, uma americana casada pela segunda vez e de comportamento muito liberal para os padrões da realeza. O roteiro faz um paralelo dessa história do passado com o amargo cotidiano de Wally (Abbie Cornish) na Nova York de 1998. Essa dona de casa, infeliz no casamento e fascinada pelo amor do duque e da duquesa de Windsor, se vê diante de um impasse afetivo ao ser paquerada por um segurança russo (Oscar Isaac). Além de servir-se de registros documentais de época, Madonna, em leve tom feminista, busca na figura de Wallis o exemplo de uma mulher à frente de seu tempo, o oposto da Wally contemporânea. Sem se perder no vaivém da narrativa, a realizadora mantém-se firme no propósito de apostar no romantismo.
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