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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 29 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Tiramisu: fecha o restaurante onde se inventou o mais famoso doce italiano

A notícia causou comoção em toda a Itália e foi estampada pelos principais jornais daquele país, entre eles o La Reppublica, Corriere della Sera, La Tribuna di Treviso e Il Gazzettino. O Alle Beccherie, na cidade de Treviso, tem data para certa para fechar. No dia 30 de março, um domingo do rigoroso inverno europeu, […]

Por Arnaldo Lorençato Atualizado em 26 fev 2017, 22h35 - Publicado em 6 mar 2014, 21h17
Alba Campeol, de 82 anos: dividi a autoria da receita com o confeiteiro, Roberto Linguanotto (Foto: Gabriele Coassin e Francesco Russo)

Alba Campeol: divide a autoria da receita com o confeiteiro, Roberto Linguanotto (Foto: Gabriele Coassin e Francesco Russo)

A notícia causou comoção em toda a Itália e foi estampada pelos principais jornais daquele país, entre eles o La Reppublica, Corriere della Sera, La Tribuna di Treviso e Il Gazzettino. O Alle Beccherie, na cidade de Treviso, tem data para certa para fechar. No dia 30 de março, um domingo do rigoroso inverno europeu, o restaurante serve sua última refeição. Foi vitimado por uma crise financeira decorrente da paulatina fuga de clientes.

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Mas por que tantos lamentos? Explica-se. No Alle Beccherie, foi criada uma das sobremesas mais famosas do mundo: o tiramisu. Como atesta a Academia Italiana de Culinária, o doce ganhou seu formato ideal em 1972 depois de muitos experimentos realizados pela dona do restaurante,  Alba Campeol, de 82 anos, e seu confeiteiro, Roberto Linguanotto. Ironicamente, os Campeol lutam para conseguir patentear a receita.

É o ponto final para um restaurante fundado no fim dos anos 1930, mas que descende de uma hospedaria e de uma casa de carnes abertas no século no princípio do século XIX. Morre, mas deixa uma marca que raras empresas de alimentação conseguiram legar. O Alle Beccherie permanece eternizado por uma receita que o tornou universal.

O tiramisu, um pavê de biscoitos savoiardi (primos da bolacha champanhe) envoltos em creme de queijo mascarporne com gemas batidas, foi copiado exaustivamente não só na Itália e ganhou muitas variações e releituras por chefs de todos os calibres.

Tornou-se a sobremesa oficial de quase todos os restaurantes italianos. Estive em Roma nos dois últimos anos e não houve um lugar que eu visitasse que não fizesse o doce – da simplíssima e adorável trattoria Da Settimio ao refinado La Pergola, com menu do chef Heinz Beck e único três estrelas Michelin da capital italiana.

No Brasil, foi introduzido por casas como o Massimo e o Maria Zanchi de Zan. Ambos, faziam tiramisus primorosos. Lembro-me também com saudade do doce preparado na fase inicial La Vecchia Cucina, de Sergio Arno. Como o Alle Beccherie, esse três restaurantes paulistanos também desapareceram.

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