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Vodcas premium conquistam lugar cativo entre os produtos AAA

Sutis no sabor e transparentes como água, elas voltam a ser apreciadas pelo paladar do público de alto poder aquisitivo

Por Ronaldo Albanese
Atualizado em 14 Maio 2024, 12h09 - Publicado em 6 ago 2011, 00h50

O preparo de um dry martini exige certa parafernália e o mínimo de ingredientes: vermute seco, azeitona, balde com gelo, faca de bar, para descascar uma lasca decorativa de limão, e misturador — ou coqueteleira, se você curtir o drinque shaken, not stirred (chacoalhado, não mexido), como sempre preferiu James Bond. De outro personagem da ficção, o esnobe empresário François Thévenot, do filme “O Discreto Charme da Burguesia”, vem mais um alerta: não se pode errar no copo. “O ideal é aquele em forma de cone”, diz ele, enquanto prepara a bebida, no longa dirigido por Luis Buñuel em 1972. Thévenot talvez ficasse estupefato com uma adulteração fundamental nessa que é uma das receitas mais célebres (e consumidas) do universo dos bares, elaborada para o magnata americano John D. Rockefeller: no lugar dos 60 embriagantes mililitros de gim, o que predomina atualmente no martíni é a vodca. Mais do que isso, o destilado experimenta hoje status de preferido da nova geração de Rockefellers. Ou seja, caiu no gosto de figuras que são boas de copo, de paladar e de bolso.

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Não é qualquer vodca, claro. Segundo a consultoria de marketing americana Information Resources, há seis tipos dessa bebida, estabelecidos por preço da garrafa: barganha (menos de 10 reais), popular (entre 10 e 15 reais), premium (entre 15 e 25 reais), super premium (entre 25 e 35 reais), ultra premium (35 a 70 reais) e luxo (acima de 70 reais). Entre a popular Popov (15 reais) — produzida nos Estados Unidos pela subsidiária do gigante de bebidas alcoólicas Diageo e brindada pelos universitários americanos como “a melhor da Rússia” — e a Belvedere (160 reais), da Polônia, existe mais do que um Atlântico de distância.

Ainda que se diga que o destilado é como água (leia-se insípido, inodoro e incolor), o que determina a diferença entre os dígitos é a matéria-prima. As categorias inferiores de vodca utilizam o milho; as top, principalmente centeio e trigo. Produzi-la com centeio doce, por exemplo, custa trinta vezes mais do que com milho. “Selecionar o ingrediente a dedo é primordial”, afirma o coqueteleiro Pablo Moya, embaixador da Grey Goose no Brasil. Feita de trigo, essa marca foi criada em 1996, nos Estados Unidos, pelo importador de alcoólicos Sidney Frank, que teve uma baita sacada de marketing: cobrar mais caro pela bebida no mercado americano. Inventou uma garrafa de aparência mais refinada, batizou-a de “ganso cinza” e etiquetou na embalagem 50 reais, o dobro do valor pago na época por versões importadas da bebida. Sete anos mais tarde, vendeu o negócio por cerca de 3,5 milhões de reais ao grupo Bacardi. Ao que tudo indica, não foi apenas uma ideia bem embalada. A Grey Goose é considerada a mais saborosa do mundo pelo Beverage Testing Institute, uma das maiores entidades especializadas em degustação de bebidas nos Estados Unidos.

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Levando em conta que a água responde por 60% do conteúdo de uma garrafa, a fonte é outro ponto estratégico para a qualidade final. Produzida na Polônia desde 1743, a Pravda se gaba de usar água vinda de uma reserva fechada para o público nos Montes Cárpatos. Considerada pura o suficiente, não precisa passar pela desmineralização, que eliminaria seu gosto sutil. Por fim, a qualidade está também ligada à fermentação e à destilação — e isso não significa que mais filtragens elevem o nível do produto. “As vodcas de mais alta qualidade não buscam só pureza, mas também notas sutis de sabor”, esclarece Moya.

Como um camaleão que se amolda às formas e muda de cor, a vodca tem o poder de se mesclar a sabores diversos — do limão na caipirosca ao licor Cointreau e ao xarope de cranberry no cosmopolitan, drinque favorito de outro personagem, Carrie Bradshaw, do seriado “Sex and the City”. É essa sutileza que tem garantido um consumo cada vez maior e mais sofisticado da bebida no Brasil. Hoje, o mercado nacional é o oitavo maior do mundo para a vodca — atrás de Rússia, Estados Unidos, Ucrânia, Polônia, Índia, Alemanha e Reino Unido. Ela movimenta por aqui cerca de 900 milhões de reais por ano. Segundo a consultoria Nielsen, seu consumo cresce 4% ao ano no país.

Para ter certeza do nível de qualidade de uma vodca, há um primeiro teste, simples e infalível. Na boca, ela deve sempre esquentar, porém de maneira agradável. Se queimar, não é das melhores. “O ideal é sentir as papilas gustativas revigoradas, não ardidas”, diz Marcio Silva, engenheiro químico e mixologista da Cia. Tradicional do Comércio, consultor de vários bares paulistanos. “Os aromas das vodcas são sutis e o elevado teor de álcool torna sua análise muito complexa”, garante. Para liberar os aromas, ensina o mixologista, é preciso agitar levemente o copo, e não mexer a bebida — James Bond estava certo, afinal. O odor do álcool deve ser forte, mas não a ponto de irritar o nariz e os olhos.

Só existe um jeito de degustar a bebida: beber em pequenos goles, uma lição repetida por estudiosos e bons de copos cônicos como o jornalista inglês Stuart Walton, autor do guia “Vodka Classified — A Vodka Lover’s Companion” (algo como “Tudo sobre vodca — um companheiro para os amantes da bebida”). As boas têm textura macia, são suaves e combinam com alimentos salgados, em conserva ou defumados. São excelentes com salmão, picles de legumes e embutidos de carnes bovina ou suína. Também harmonizam com pratos mais consistentes, pois quebram a gordura, que, por sua vez, ameniza os efeitos do álcool. Não à toa, são pratos típicos dos países eslavos, onde a vodca começou a ser consumida no século XV.

Há controvérsias sobre se o berço é a Polônia ou a Rússia, mas o certo é que a corte czarista e os nobres no entorno mantinham destilarias próprias. “Combinar champanhe com caviar pode ser chique, mas trocar uma taça de espumante francês pelo destilado, no velho estilo russo, fica muito mais saboroso”, acredita Silva. Principalmente se for servido, como bem exigiu François Thévenot, no copo ideal.

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Belvedere vodca
Belvedere vodca ()

BELVEDERE

Origem: Polônia

Graduação alcoólica: 40%

Matéria-prima: centeio dourado

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Preço médio: R$ 160,00

Do grupo LVMH, o maior conglomerado de luxo do planeta, é elaborada segundo uma tradição de mais de 500 anos com o centeio dourado Dankowskie, exclusivo da região de Mazovia.

Cîroc vodca
Cîroc vodca ()

CÎROC

Origem: França

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Graduação alcoólica: 40%

Matéria-prima: uva

Preço médio: R$ 160,00

Feita com uvas nobres, a mauzac blanc e a ugni blanc, segue um método de produção quase artesanal e um processo único de fermentação fria, o que mantém o frescor da uva.

Wyborowa Exquisite vodca
Wyborowa Exquisite vodca ()
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WYBOROWA EXQUISITE

Origem: Polônia

Graduação alcoólica: 40%

Matéria-prima: centeio

Preço médio: R$ 150,00

Com o design da garrafa criado pelo arquiteto Frank Gehry, a versão Exquisite é produzida desde o século XVIII em pequenas quantidades na mesma destilaria de Turew, no interior da Polônia.

Pravda vodca
Pravda vodca ()

PRAVDA

Origem: Polônia

Graduação alcoólica: 40%

Matéria-prima: centeio doce

Preço médio: R$ 140,00

É produzida em pequenos lotes em Bielsko-Biala, no sul da Polônia, desde 1743. Para obter a suavidade extra que lhe dá fama, a super premium passa por cinco destilações contínuas e por um tradicional alambique de cobre.

Grey Goose vodca
Grey Goose vodca ()

GREY GOOSE
Origem:
França
Graduação alcoólica:
40%
Matéria-prima: 
trigo
Preço médio:
R$ 110,00

Suave como poucas, é produzida na região de Cognac com água vinda das montanhas, filtrada através de rochas calcárias. É considerada a vodca de melhor sabor do mundo pelo Beverage Testing Institute.

Absolut 100 vodca
Absolut 100 vodca ()

ABSOLUT 100
Origem:
Suécia
Graduação alcoólica:
50%

Matéria-prima: trigo de inverno

Preço médio: R$ 100,00

Com notas de limão fresco, mandarins de ouro e ervas saborosas, a versão 100 tem acabamento impecável. Ao contrário da maioria, não usa açúcar em sua composição natural.

 

 

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