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Viúva espera 3 dias para enterrar marido que prometeu ressuscitar

Em carta, o pastor Huber Carlos Rodrigues profetizou que voltaria à vida quando morresse; cidade se mobilizou para acompanhar cerimônia

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 26 out 2021, 16h44 - Publicado em 26 out 2021, 16h13

A morte de um pastor evangélico do município de Goiatuba, no interior de Goiás, deu o que falar. Huber Carlos Rodrigues morreu na última sexta-feira (22), vítima de complicações respiratórias, mas sua mulher, Ana Maria de Oliveira Rodrigues, impediu que o corpo do marido fosse sepultado. Isso porque o homem deixou uma declaração, escrita em 2008, afirmando que ele ressuscitaria no 3º dia após sua morte, assim como Jesus Cristo. O caso repercutiu nacionalmente e diversas pessoas da cidade acompanharam o sepultamento do pastor na madrugada desta terça-feira (26).

No documento, assinado por duas testemunhas, Huber afirma que teve uma “revelação do Espírito Santo” de que passaria por um “mistério de Deus” e após sua morte ele ressuscitaria ao 3º dia. Ele explica que esse “mistério” era baseado em três passagens bíblicas: da morte e ressurreição de Lázaro; da filha de Jairo, e do filho da viúva de Naim.

“Minha integridade física tem que ser totalmente preservada, pois ficarei por três dias morto, sendo que, no 3ª dia, eu ressuscitarei. Meu corpo durante os três dias não terá mau cheiro e nem se decomporá, pois o próprio Deus terá preparado minha carne e meu cérebro para passar por essa experiência”, diz a declaração. 

Huber ainda afirmava na declaração que, por meio da sua ressurreição, pessoas passariam a ouvir a mensagem de Deus e a crer nela. “Eu não serei a luz, mas testificarei a luz, a luz verdadeira que veio ao mundo e ilumina todas as pessoas”, diz.

foto da carta escrita por huber
Carta, escrita em 2008, do pastor Huber em que ele prometia que ressuscitaria, tal qual Jesus Cristo, no 3º dia após sua morte Reprodução/Reprodução

De acordo com o dia e o horário de sua morte, Huber ressuscitaria até as 23h30 desta segunda-feira (25). Por isso, a viúva não autorizou que o corpo do marido fosse enterrado e ele ficou em um local refrigerado na funerária para respeitar o prazo de três dias pedido pela família.

A Prefeitura de Goiatuba, por meio de nota, informou que a Vigilância Sanitária da cidade chegou a notificar a funerária para que realizasse o sepultamento imediato do corpo, observando uma resolução que dispõe sobre o Controle e Fiscalização Sanitária do Translado de Restos Mortais Humanos. Entretanto, toda a cidade se mobilizou em torno do fato, o que ajudou a postergar o enterro até a noite desta segunda (25).

Enterro

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Todos estavam curiosos para saber se haveria mesmo a ressuscitação ou se o corpo seria enterrado. Mesmo sob chuva, aproximadamente 2 mil pessoas foram à porta da funerária em que Huber estava. Eles acompanharam o sepultamento junto com mais de 15 mil internautas em transmissão ao vivo realizada por um jornalista local.

multidão de pessoas em cortejo ao sepultamento de Huber
Cortejo do pastor Huber, na madrugada desta terça-feira (26) na cidade de Goiatuba; eles esperavam que o homem ressuscitasse, conforme prometeu em carta escrita em 2008 Reprodução/Destak Informativo/Divulgação

Como esperado, Huber não ressuscitou e deixou os presentes decepcionados. Seu corpo foi liberado para o enterro por volta da 1 hora da madrugada, após a viúva se conformar que de fato o homem não voltaria à vida. 

Mesmo assim, muita gente, inclusive fieis da igreja do pastor Huber, fizeram um coro de “abre, abre” no momento do enterro, porque ainda acreditavam que a profecia poderia se concretizar.

https://twitter.com/choquei/status/1452849019869437954

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