Vila Madalena: o maestro da noite
Ailton Manuel, com sua nobreza e eficiência, tornou-se um mito da boemia paulistana
“Curam-se dor de amor mal resolvido ou terminado, traição e ressentimentos sentimentais em geral e salva-se reputação com boa comida, caipirinha e chope gelado. Oferecem-se papo amigo, gentileza, atenção e, se necessário, um táxi para voltar para casa. Não se traz o amor perdido, mas com sorte se consegue uma mesa com vista para possíveis futuros romances. Tratar no local com Ailton.”
A faixa não existe, mas ninguém há de estranhar se um dia ela aparecer no alto do número 374 da Rua Girassol, sobre o logotipo do bar Genial. É lá, desde o começo do ano, o endereço do garçom que, com sua nobreza, educação e eficiência, se tornou um mito da boemia local. Há uma década a noite da Vila Madalena tem em Ailton Manuel da Silva, 42 anos, pernambucano da diminuta Panelas de Miranda, sua mais fiel definição.
Tudo começou a cerca de 200 quilômetros dali, em Ilhabela, no verão de 2000. O produtor musical Helton Altman fazia um evento na cidade e, enquanto comia em uma das barracas da praia, prestou atenção no garçom que o servia. “O que me cativou no Ailton era como alguém que trabalhava na praia de short e camiseta conseguia transmitir tanta nobreza”, lembra. Um dos amigos de Altman pediu um caldinho de feijão, que não fazia parte do cardápio da barraca. Em vez de dizer não, o garçom atravessou a rua e buscou o pedido no hotel mais próximo. “Eu estava montando o Filial e três meses depois o convidei para vir trabalhar comigo”, recorda.
Do dia em que chegou a São Paulo, em 1986, até a abertura do Filial, em 2000, Ailton havia construído uma modesta reputação na cidade. Começou no restaurante Gigetto, inicialmente para ocupar uma vaga de lavador de copos durante o dia. Pediu e foi para a noite, que o encanta até hoje, de onde nunca mais saiu. Seis anos depois, resolveu encarar um novo desafio e ir comandar uma equipe na então recém-renascida região do Baixo Augusta, no Leblon. Saiu dois anos mais tarde e abriu a própria pizzaria em Osasco, que não vingou. Desde o começo do ano reforça a equipe do Genial, dos mesmos sócios do Filial. “Quando vejo que a pessoa já chega meio alterada, vou conversando, ganhando tempo, demoro um pouco mais para levar a bebida. Cinco minutos de conversa são dois chopes ou uma dose de uísque a menos”, diz o garçom.
E se tornou célebre por, entre tantas coisas já citadas aqui, nunca perder a paciência. Ou quase nunca. “Lembro-me de duas vezes em que saí do sério. Uma, quando um cliente sugeriu que eu o estava roubando na conta. A outra foi com um cara que insistiu que já tinha pago, e não tinha.” O primeiro virou cliente fiel. O segundo nunca mais apareceu. Servindo a cada noite, pelos cálculos dele, uma média de dezoito casais em crise, quatro mulheres infiéis, cinco homens inseguros, oito casais no primeiro encontro cujo romance não irá para a frente e três sujeitos que só querem se embriagar sozinhos, não se tem notícia de que Ailton tenha perdido a paciência mais alguma vez.
Quem são os médicos mortos em Alphaville
Empresa de médico que matou dois colegas de profissão em Alphaville afirma que crime foi estritamente pessoal
João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê anunciam show de ‘Dominguinho’ no Allianz Parque
Quem era Andre Miceli, apresentador da Jovem Pan que morreu na sexta (16)
Henri Castelli: o que se sabe sobre agressão que desfigurou rosto do ator





