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Mooca tem túnel esquecido no Cotonifício Rodolfo Crespi

Sob a Rua Taquari, uma passagem de 25 metros de comprimento ligava dois dos prédios da fábrica

Por Sérgio Quintella Atualizado em 6 dez 2019, 14h25 - Publicado em 6 dez 2019, 06h00

Símbolo da pujança industrial paulista no início do século XX, o Cotonifício Rodolfo Crespi foi uma fábrica de tecidos que funcionou até 1963 entre as ruas Taquari, dos Trilhos e Javari, na Mooca. À medida que a empresa se expandia pelas terras baratas e alagadiças do entorno, o processamento dos produtos ficava cada vez mais difícil devido à distância entre as etapas. Parte do trabalho ganhou facilidade após a construção de um teleférico, na década de 20, que ligava pelo alto os edifícios do complexo de 250 000 metros quadrados — o dobro do tamanho do Parque da Aclimação. A outra solução veio por baixo.

Entrada da passagem, em foto de 2003: 25 metros de comprimento Portal da Mooca/Divulgação

Sob a Rua Taquari, um túnel de 25 metros de comprimento por 3 de largura e 3 de altura ligava dois dos prédios. Na entrada de cada extremo havia um elevador, e a carga era transportada por carrinhos. A passagem ainda atravessa a rua, mas uma das aberturas foi cimentada após o mercado Extra alugar o principal edifício do complexo, em 2003. O outro extremo perdeu função com o alargamento da Rua Taquari, nos anos 70, cuja desapropriação levou embora parte do prédio do atual Armarinhos Fernando. Nos tempos áureos, o cotonifício teve 6 000 funcionários, a maioria imigrantes ou descendentes. De seus grêmios e times amadores surgiu o Clube Atlético Juventus, em 1924.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 11 de dezembro de 2019, edição nº 2664.

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