Avatar do usuário logado
Usuário

Em dois anos, tablet se tornou recurso mais frequente em escolas

Preparar professores para a tecnologia e evitar a dispersão dos estudantes ainda são desafios

Por Ana Alice Vercesi, Guilherme Soares Dias e Jussara Soares 11 out 2013, 18h25 • Atualizado em 5 dez 2016, 15h34
ipad-escola-objetivo
ipad-escola-objetivo (Mario Rodrigues/)
Continua após publicidade
  • Com idade de 1 a 4 anos, os alunos do Portinho, nome dado à primeira parte do ensino infantil do Colégio Visconde de Porto Seguro, no Morumbi, ganharam um novo companheiro no ano passado: o tablet. Em meio a etapas como a libertação das fraldas e a pronúncia das primeiras frases, as crianças frequentam semanalmente o laboratório equipado com esse dispositivo e lousa eletrônica. Divididas em grupos, elas revezam a atenção entre as duas telas, nas quais deparam com desafios elementares, como identificar objetos narrados em um conto de fadas que acabaram de ouvir. Nas séries seguintes, atividades como a criação de filminhos de animação com massa de modelar, feitos a partir de um dos 250 aparelhos disponíveis na escola, começam a fazer parte da rotina.

    + Especial Educação: a era da escola inteligente

    São cenas que pareceriam pouco prováveis até pouco tempo atrás. Em 2011, os estabelecimentos de ensino que adotavam o tablet eram raríssimos na capital. Hoje, o recurso é bem mais comum. O Dante Alighieri, um dos pioneiros, assim como o Objetivo, possui 700 equipamentos para seus 4 300 estudantes, usados de forma mais frequente e individual no ensino médio e esporádica nos outros anos. O Pueri Domus distribui um aparelho para cada um dos cerca de 420 matriculados no ensino médio e netbooks do 6º ao 9º ano do fundamental, desde 2010. Nesses gadgets é possível, por exemplo, visualizar simulações da velha prática de dissecação de animais.

    Entrar na era digital, porém, é algo muito mais complexo para os coordenadores pedagógicos do que a mera compra de computadores. Enquanto os alunos pequenos nasceram deslizando os dedinhos na tela, os professores precisam dominar com a mesma facilidade os aparatos que conheceram adultos. O Rio Branco, além de oferecer cursos sobre as tecnologias aos seus mestres, entregou a eles cerca de noventa notebooks a fim de aproximá-los da rotina eletrônica dos jovens. A partir daí, eles passaram a comandar projetos, como uma peça de teatro e um vídeo bilíngue sobre as guerras mundiais, criados em conjunto por adolescentes do 9º ano do fundamental e do 3º ano do médio, que trocavam informações pelas redes sociais.

    Continua após a publicidade

     

    Para Eduardo Galembeck, editor da Biblioteca Digital de Ciências da Unicamp, apesar da popularização do tablet, a maioria das escolas está muito distante das inovações tecnológicas educacionais disponíveis. Ele cita como exemplo o espaço que comanda, onde há uma série de softwares voltados para a aprendizagem de ciências. “A maior procura, porém, é por produtos tradicionais, como vídeos prontos e slides, e não por conteúdo interativo”, relata.

    A preocupação em preparar adequadamente os docentes faz com que escolas renomadas se modernizem com cautela. O Colégio Bandeirantes preferiu esperar mais um ano antes de mergulhar no uso do iPad— hoje, os alunos podem trazer o seu de casa, se quiserem fotografar a lousa e rabiscar anotações, mas são proibidos de usá-lo para outros fins. “Estamos em trabalho intensivo de capacitação dos nossos profissionais. Precisamos que eles se apropriem realmente dos recursos do tablet para replanejar a aula”, comenta Sílvia Vampré Ferreira Marchetto, coordenadora de tecnologia educacional.

    Continua após a publicidade

    O temor (por parte dos pais, inclusive) de que os tablets dissipem a atenção é outro ponto ainda em discussão. “Essa é anossa principal preocupação para implantar o sistema”, explica Francisco Solano Portela Neto, diretor educacional dos Colégios Presbiterianos Mackenzie.

    No Anglo Vestibulares, que usa vídeos de ciências em 3D nas aulas e aplicativos de celular voltados para resoluções de exercícios em casa, o projeto de disponibilizar wi-fi para atividades com tablets, ainda em estudo, inclui entre as possibilidades o bloqueio de redes sociais, de modo a afastar a tentação de clicar em sites que não têm nada a ver com o conteúdo aprendido. No Porto Seguro, um teste foi realizado antes da decisão de liberar os aparelhos. Aplicou-se uma mesma prova em dois formatos, papel e digital. A conclusão é que a média de acertos e o tempo de resolução do exame foram equivalentes em ambas as plataformas. “O aluno que se dispersa em uma aula vai acabar desviando o foco com ou sem um dispositivo eletrônico à mão”, entende Renata Pastore, diretora de tecnologia educacional do colégio.

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês