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Caçambas de lixo vão chamar a atenção para disputa de parque nos Jardins

Processo judicial movido por moradores tenta impedir obra de túnel na São Carlos do Pinhal, parte do Parque das Flores, planejado pelo Cidade Matarazzo

Por Guilherme Queiroz Atualizado em 6 nov 2020, 14h22 - Publicado em 6 nov 2020, 06h00

A disputa entre prefeitura, associações de moradores e o empreendimento Cidade Matarazzo terá mais um capítulo na próxima semana. Desde dezembro um processo judicial tenta impedir a construção de um túnel na Rua São Carlos do Pinhal. A obra, bancada pela iniciativa privada, faz parte do projeto Parque das Flores. Para chamar atenção para o imbróglio, catorze caçambas de lixo serão enchidas com terra e plantas e instaladas em vários pontos da cidade. A ação deve ocorrer a partir de terça-feira (10) em locais como a Avenida Paulista. Catorze artistas, como Bugre, Caligrapixo e Senk, devem participar. Os “jardins” terão um QR code em que o link redireciona para um site que apresenta o Parque das Flores. “Queremos chamar atenção para a falta de vegetação na cidade”, diz a diretora de marketing da Cidade Matarazzo, Filipa Beirôco.

O Cidade Matarazzo, conjunto com hotel, residência, lojas e centro cultural, é erguido desde 2016 com investimento de 2 bilhões de reais. As obras, que devem ser parcialmente entregues no ano que vem, foram idealizadas pelo empresário francês Alexandre Allard. Além das construções no terreno onde funcionava o antigo Hospital Umberto I, fechado por vinte anos, há a previsão de investir cerca de 130 milhões de reais em um boulevard que ligaria a área à Avenida Paulista, por meio de uma passagem conhecida como Alameda das Flores.

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Como deve ficar a Alameda Rio Claro após a intervenção Divulgação/Divulgação

Para a realização da empreitada seria necessário redirecionar o fluxo de carros em um trecho da Rua São Carlos do Pinhal, o que margeia o terreno do Cidade Matarazzo, para um túnel: a parte de cima daria lar ao Parque das Flores, anteriormente chamado de Boulevard da Diversidade. Vias como a Alameda Rio Claro seriam remodeladas e 10 000 metros quadrados no entorno devem ganhar 479 árvores, além de bancos, iluminação e quiosques, inclusive a Alameda das Flores. A gestão e a conservação do espaço são de responsabilidade da iniciativa privada durante trinta anos.

Contrárias ao túnel, a Associação de Moradores do Bairro da Consolação e Adjacências (Amacon) e a Associação União de Moradores Bela Vista & Bixiga (Amorbela) moveram uma ação judicial que conseguiu impedir o início das obras. “Não houve consulta da população do entorno sobre esse túnel”, diz Raphaela Galletti, advogada das associações, que é candidata a vereadora e fez campanha contra a Paulista Aberta aos domingos. “Ali vai virar uma entrada exclusiva para o empreendimento de luxo. Quem não tem nada a ver que passe por baixo. Não tem utilidade pública”, diz Marta Porta, presidente da Amacon.

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“Eles conseguiram uma liminar, que impede a execução de todo o projeto. Foram no mínimo cinco audiências com a população”, diz o advogado do Cidade Matarazzo, Rodrigo Duarte. A prefeitura, que aprovou o projeto, informou que já apresentou defesa na ação, “demonstrando a legalidade municipal no caso”, e que aguarda a sentença definitiva. “É um absurdo dizer que a obra favorece o Cidade Matarazzo. É uma maneira simplista de criticar um projeto que vai beneficiar toda a região. Seria inviável sem o túnel”, afirma Alexandre Allard.

“Moro na Rio Claro há 27 anos. Nunca apareceu nenhuma associação interessada na região. Sou favorável ao túnel, estamos formando uma associação de pessoas que são da rua”, diz a arquiteta Dirce Carrion. “Esperamos que a Justiça aprecie nosso recurso contra essa liminar até março de 2021”, afirma Duarte. O que resta é esperar.

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Publicado em VEJA São Paulo de 11 de novembro de 2020, edição nº 2712.

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