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Roubos a banco preocupa paulistanos

Polícia busca soluções no combate ao crime

Por Fabio Brisolla 18 set 2009, 20h34 • Atualizado em 5 dez 2016, 19h23
  • A agência bancária acaba de abrir e dois assaltantes passam desarmados pela porta com detector de metais. Com um objeto metálico propositadamente colocado no bolso, um terceiro integrante da quadrilha é impedido de entrar quando o alarme toca. A idéia de chamar a atenção do segurança funciona. Enquanto o vigia do banco vai abordá-lo, um quarto bandido joga uma pistola automática na caixa porta-metais, na qual os clientes deixam seus objetos. Um dos ladrões que estavam dentro da agência pega a arma e rende o segurança. Assim começou o assalto à agência do banco HSBC, na Rua Joaquim Floriano, no Itaim Bibi, na terça-feira passada. “Eles se comunicavam por rádio, com fones de ouvido, e gritavam para o funcionário abrir o cofre”, conta uma testemunha. A ação durou nove minutos, e, após uma fracassada tentativa de acessar o cofre, eles deixaram a agência com apenas 730 reais retirados no balcão dos caixas. Ocorrências como essa se tornaram comuns na cidade. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) somou 274 roubos no ano passado – um por dia, considerando que as agências não abrem no fim de semana. Estranhamente, no mesmo período, a Secretaria de Segurança Pública do Estado registrou apenas 122 casos. Diante da discrepância nas estatísticas, o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, determinou que os números oficiais sejam revisados. Só no primeiro trimestre deste ano foram 55 casos de acordo com a Febraban. O grau de violência empregado pelos criminosos tem despertado a atenção das autoridades. Em fevereiro, no assalto à agência do Itaú na Avenida Ibirapuera, em Moema, os integrantes da quadrilha utilizaram fuzis e metralhadoras. Na troca de tiros durante a fuga, a adolescente Priscila Aprígio, de 13 anos, foi atingida e ficou paraplégica. “O combate ao roubo a banco é permanente, mas esse caso serviu para incentivar ainda mais as providências policiais”, reconhece Marzagão. Desde 8 de março, o comando da Rota destacou dez equipes para o patrulhamento de cinco vias com grande concentração de agências. Elas circulam durante o expediente bancário em avenidas como Paulista, Adolfo Pinheiro, em Santo Amaro, Giovanni Gronchi, no Morumbi, Rua Domingos de Moraes, na Vila Mariana, e Alameda dos Maracatins, em Moema. Há um mês, o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) criou o Setor Operacional de Roubo a Banco (Sorb), uma divisão especial com doze policiais encarregados de agilizar as investigações. “Muitas vezes a polícia só é acionada pelos bancos horas depois do roubo”, diz Youssef Abou Chahin, diretor do Deic. “O objetivo do Sorb é identificar o mais rápido possível a ocorrência e chegar em minutos ao local para não perder informações importantes”. A ação das quadrilhas revela algumas semelhanças. Cada assalto a banco conta com uma média de oito participantes. Uns desarmam o segurança da agência – usando até mesmo armas de brinquedo – e negociam com os funcionários. Outros ficam do lado de fora equipados com armamento pesado para dar cobertura. Os horários de abertura e fechamento das agências bancárias são os momentos mais escolhidos para os assaltos. Existem algumas explicações para o crescimento desse tipo de crime. Para a polícia, o combate ao seqüestro e ao tráfico de drogas teria gerado a migração para os roubos a banco. “Fizemos apreensões maciças de drogas e armas”, conta o secretário Marzagão. “Como houve prejuízo, os bandidos tendem a migrar para outro tipo de atividade criminosa”, acrescenta. “O roubo a banco é um crime que só diminui com um processo rigoroso de investigação e punição”, diz o coronel da reserva e consultor em segurança José Vicente da Silva. “Se houver um descuido da polícia, os índices aumentam.” Depois do custo com pessoal e informática, segurança é o item mais caro na planilha de um banco. “As instituições bancárias investiram 6 bilhões de reais no ano passado para proteger as agências”, afirma Pedro Oscar Viotto, diretor setorial de segurança bancária da Febraban. “É o dobro do que gastávamos há três anos.” Hoje existe um exército de 6 000 vigilantes trabalhando para evitar assaltos às agências da capital – quase duas vezes mais que o efetivo do Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar. O preparo dos seguranças privados é outro ponto polêmico. “Em muitos casos, a arma usada no roubo é a do vigilante”, diz Chahin. Cabe à Polícia Federal a fiscalização das empresas de segurança privada. Embora a formação de um vigilante de banco seja a mesma de qualquer outro segurança privado com porte de arma, uma exigência foi estabelecida por meio de uma portaria da Polícia Federal. A partir desta semana, os vigilantes de agências bancárias serão obrigados a trabalhar com colete à prova de bala. As 2 056 agências bancárias da cidade reúnem um exército estimado em 6 000 seguranças privados. Todos com porte de arma; uma divisão com cinqüenta policiais da Rota foi destacada para o policiamento de cinco vias com maior incidência de assaltos: as avenidas Paulista, Adolfo Pinheiro e Giovanni Gronchi, a Rua Domingos de Moraes e a Alameda dos Maracatins; o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) dobra o policiamento nos dias preferidos pelos assaltantes de banco: 5 e 20, datas tradicionais de pagamento de salários e os horários de abertura e fechamento das agências bancárias são os momentos mais escolhidos pelos assaltantes. Para realizar um roubo, cada quadrilha tem em média oito integrantes

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