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Questões dezembrinas

Por Ivan Angelo
3 dez 2010, 12h10 • Atualizado em 5 dez 2016, 18h25
  • — Vó, você acredita em Papai Noel?

    — Ah, Bel, adulto não tem cabeça para essas coisas.

    — Acredita ou não acredita, vó?

    — Bom…

    — Não pode mentir…

    — Não pode? Então acredito, pronto.

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    — Eh, vó, você não é mais criança.

                           ***

    — Vô, Papai Noel já foi criança?

    — Ih, agora você me pegou.

    — Não sabe ou vai pensar?

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    — Na verdade, eu nunca tinha pensado nisso.

    — Droga, o mais importante você nunca sabe.                      

                           ***

    — Mãe, o que o Papai Noel faz nas férias de julho?

    — Nem imagino.

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    — Eu imagino.

    — É? O quê, Bel?

    — Deve ser Natal em outro planeta.

                           ***

    — Tia, o que é que Papai Noel de shopping faz quando acaba o Natal?

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    — Ah, não sei, Vivi, acho que eles procuram outra coisa para fazer.

    — Que coisa?

    — É… Porteiro, vendedor, carregador… Muitos são aposentados.

    — Quando meu pai se aposentar, vou falar pra ele ficar sentado de Papai Noel no shopping. É melhor.

                          ***

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    — Tio, Papai Noel existe?

    — Existe.

    — Onde é que ele mora?

    — Uns dizem que é no Polo Norte. Eu acho que é no céu.

    — No céu? Então ele já morreu?

    — Como assim?

    — Quando a gente morre, vai pro céu. No céu tem gente viva?

    — Não. Tem as almas boas, tem os anjos…

    — Ele não é anjo… Então é alma?

    — Olha, Bel, acho que é no Polo Norte mesmo que ele mora.                

                           ***

    — Mãe, não são os adultos que dão presente para os outros adultos no Natal?

    — Isso mesmo, filha.

    — E por que precisa de Papai Noel para dar para as crianças?

    — Não é que precisa. Cada um faz sua parte. A parte dele é a das crianças.

    — Eu posso mudar?

    — Como assim, mudar?

    — Eu queria ser da parte dos adultos.

    — Por que isso agora?

    — Aí, se eu não gostar do meu presente, eu posso reclamar.

                             ***

    — Vô, você já se vestiu de Papai Noel na noite de Natal?

    — Nunca, Ju.

    — Por que não?

    — Quer a verdade, agora que você já é meio grandinho?

    — Ahn-han.

    — Não gosto da ideia nem da roupa.

    — Acha ridículo?

    — É, achava. Ia me sentir ridículo. Não dou pra essas coisas.

    — Podia fingir que gostava.

    — Não ia dar certo. Fingir pra quê?

    — Pra agradar ao papai. Eu finjo.

    — Quando ele se veste de Papai Noel?

    — É. Eu finjo que acho engraçado e que acredito. Ele é muito legal.

    — É, eu podia ter feito isso. Mas eu não sou tão legal quanto você.

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