Como alguns prefeitos lidaram com o trânsito
Conheça medidas que foram boas e outras que foram más para São Paulo
ANTONIO DA SILVA PRADO (1899-1911)
Primeiro prefeito de São Paulo, Silva Prado tinha como meta embelezar a cidade — a inspiração, claro, vinha de capitais europeias. Abriu e arborizou avenidas como a Angélica, em Higienópolis, e elaborou um plano para remodelar o Vale do Anhangabaú, não executado. A primeira linha paulistana de bonde elétrico foi criada em sua gestão.
RAYMUNDO DA SILVA DUPRAT (1911-1914)
Encomendou ao arquiteto e urbanista francês Joseph-Antoine Bouvard uma espécie de plano diretor para a cidade, que previa novo projeto para o Vale do Anhangabaú. Mas pouco chegou a ser executado em sua gestão, como a remodelação de parte da Avenida São João.
JOSÉ PIRES DO RIO (1926-1930)
Foi sob seu comando que dois engenheiros da prefeitura, Ulhoa Cintra e Francisco Prestes Maia, definiram as atuais diretrizes urbanas da metrópole. Batizado de Plano de Avenidas, o projeto consistia na construção de grandes vias e anéis periféricos para facilitar a circulação. Durante a administração de Pires do Rio, porém, poucas ações foram feitas, como as primeiras desapropriações para dar lugar à Avenida Nove de Julho.
FRANCISCO PRESTES MAIA (1938-1945/1961-1965)
Ele está para São Paulo assim como Lucio Costa está para Brasília. Mandachuva da cidade em dois períodos, executou ideias do Plano de Avenidas, que ajudou a esboçar no início dos anos 30. Implantou um modelo de circulação batizado de Sistema Y, formado pelas avenidas Tiradentes, 23 de Maio e Nove de Julho, para desafogar o trânsito central. O esquema ainda previa três anéis viários para facilitar o escoamento de veículos. O primeiro deles foi constituído por avenidas como Ipiranga e São Luís. O segundo anel abrange a Avenida Duque de Caxias e a Rua Amaral Gurgel, entre outras. E o terceiro, posto em prática depois, são as marginais dos rios Tietê e Pinheiros.
WILLIAM SALEM (1955)
Presidente da Câmara Municipal, Salem comandou a prefeitura por menos de um semestre. No cargo, proibiu a circulação de boiadas por todas as vias paulistanas. A lei previa multa de 1.000 cruzeiros e a apreensão dos animais em caso de duas reincidências.
JOSÉ VICENTE FARIA LIMA (1965-1969)
O mandato de Faria Lima foi marcado pela construção e pelo alargamento de vias importantes, como a que atualmente leva seu nome e a Rubem Berta. Em outubro de 1967, criou a Secretaria Municipal de Transportes, para organizar e planejar ações para melhorar nosso trânsito.
PAULO MALUF (1969-1971/1993-1996)
Disposto a multiplicar a malha viária e deixar sua marca na cidade, Maluf construiu dezenas de pontes e viadutos em duas gestões como prefeito. Sua realização mais emblemática, o Minhocão, de 1971, degradou o entorno da região central e até hoje é exclusivo para automóveis — privilegiados em quase todas as suas obras. Em 1995, propôs a adoção de um equipamento apelidado de jacaré, utilizado para travar uma das rodas de carros estacionados em locais proibidos.
JOSÉ CARLOS DE FIGUEIREDO FERRAZ (1971-1973)
Quando saiu da prefeitura, Ferraz deixou funcionando em teste a Linha Azul do metrô. Ele também criou um plano diretor e uma lei de zoneamento municipal para frear o crescimento desordenado.
OLAVO SETUBAL (1975-1979)
Antes só conhecido pela atuação à frente de seu banco, o Itaú, Setubal governou a capital privilegiando os meios coletivos de transporte. Ele ajudou a ampliar o metrô, inaugurado em 1974, e iniciou a implantação de corredores de ônibus e de terminais rodoviários. Em 1976, criou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
MARIO COVAS (1983-1985)
Seu objetivo era integrar e melhorar os transportes coletivos. Em 1983, fez uma intervenção nas empresas privadas de ônibus, o que permitiu à prefeitura apurar irregularidades e obter dados para calcular tarifas. Covas criou o passe para que pessoas com mais de 65 anos utilizassem gratuitamente o sistema de transportes público de São Paulo. Foi ele quem iniciou a construção dos corredores Santo Amaro (terminado na gestão Jânio Quadros) e Rio Branco e de seis terminais de ônibus.
JÂNIO QUADROS (1953-1955/1986-1988)
Em sua segunda passagem pela prefeitura, Jânio abriu canteiros de obras em diversos pontos da capital. Seus principais projetos, no entanto, como o túnel sob o Rio Pinheiros, foram inaugurados em outras gestões. Inspirado nos ônibus ingleses de dois andares, pediu em 1987 à CMTC que providenciasse um protótipo brasileiro do veículo. Apelidados de “Fofão” e de “Dose Dupla”, eles tinham capacidade para levar 112 passageiros. Como regularmente batiam em árvores e se enroscavam na fiação dos trólebus, começaram a ser retirados das ruas dois anos depois.
LUIZA ERUNDINA (1989-1992)
Ao assumir o governo, Erundina paralisou diversas obras herdadas de administrações anteriores, como o túnel sob o Rio Pinheiros, mas pavimentou ruas e abriu novas avenidas. Ela “municipalizou” os transportes e mudou a política de subsídios. Na prática, toda a arrecadação das tarifas ia para a prefeitura, que passou a pagar as empresas por quilômetro rodado, e não mais por passageiro. A medida fez aumentar o número de ônibus nas ruas, o que beneficiou usuários e empresários, mas elevou as despesas, e a CMTC, que virou um cabide de empregos, tornou-se sinônimo de sangria de dinheiro público. A empresa começou a ser privatizada por Maluf em 1993.
CELSO PITTA (1997-2000)
Impossível não associar o mandato de Pitta com o Fura-Fila, sua maior promessa de campanha. Tratava-se de um trem futurista que percorreria um trajeto de 125 quilômetros. Mas o milionário projeto só saiu do papel na gestão Kassab — como um modesto corredor de ônibus, batizado de Expresso Tiradentes. Em 1997, Pitta regulamentou o rodízio municipal de veículos, criado dois anos antes pelo governo estadual.
MARTA SUPLICY (2001-2004)
Novos corredores de ônibus, nos quais os passageiros embarcam em plataformas elevadas, e a criação do Bilhete Único, para agilizar a compra de passagens, foram as principais contribuições da petista. Mas o governo dela também foi marcado pela construção de túneis controversos, como o Fernando Vieira de Mello, que alagou dois meses depois de ter sido inaugurado.
JOSÉ SERRA (2005-2006)
Integrou o Bilhete Único com o sistema de transporte sobre trilhos, recapeou ruas e sancionou uma lei, contestada na Justiça, que permitiu à CET cobrar pelos serviços prestados em shows, jogos de futebol e eventos do gênero. Para tentar diminuir o impacto dos caminhões nas ruas, assinou um decreto que proibiu a operação de carga e descarga em estabelecimentos comerciais de grande porte das 6 às 22 horas.
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