Avatar do usuário logado
Usuário

Parlamento Latino-Americano deve deixar o Memorial

Edifício custa ao governo paulista 4,5 milhões de reais por ano e é pouco utilizado

Por Sandra Soares 18 set 2009, 20h33 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h24
Parlamento Latino-Americano deve deixar o Memorial Priorizar nos meus resultados Google

Durante a maior parte de 2006, as 560 poltronas do plenário do Parlamento Latino-Americano, o Parlatino, ficaram vazias. Só em quinze ocasiões o impressionante auditório – que ocupa parte do Memorial da América Latina e, como todo o conjunto, leva a assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer – recebeu visitantes. A situação vem se repetindo neste ano. De janeiro até agora, apenas seis eventos foram realizados ali. O clima também é de silêncio nas cinco salas de reunião espalhadas pelo prédio. Com 6500 metros quadrados e 26 funcionários – ou seja, 250 metros quadrados para cada um deles –, o Parlatino custa ao governo paulista 4,5 milhões de reais por ano. No mês passado, o governador José Serra anunciou que vai cortar essa verba a partir de 2008. Ele ainda solicitou a desocupação do edifício até dezembro. “Não podemos arcar sozinhos com as despesas de um órgão internacional e multilateral, formado por 22 países”, diz José Aristodemo Pinotti, secretário de Ensino Superior, ao qual o Parlatino está vinculado. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está articulando para que o governo federal arque com metade das despesas. A outra parte ficaria a cargo dos demais países. “Caso isso ocorra, podemos rever nossa decisão”, afirma Pinotti.

Quando foi criada, em 1964, a instituição era itinerante. Ganhou sede própria em 1992, graças ao interesse de Orestes Quércia, que havia deixado o governo um ano antes. Inventado com o objetivo de congregar parlamentares de todas as nações latino-americanas no debate de temas e propostas de leis de interesse comum, o Parlatino conta hoje com treze comissões. Entre suas realizações estão, por exemplo, a redação do Código Latino-Americano de Defesa do Consumidor em 1997, adotado por oito países logo após sua aprovação (para serem implementadas, as leis do Parlatino precisam ser votadas e referendadas em cada uma das nações). “Quando o código foi criado, apenas o Brasil tinha legislação sobre consumo em vigor”, lembra o deputado federal Celso Russomanno (PP-SP), que integrou o grupo responsável por esse trabalho. Atualmente, cerca de 650 senadores e deputados indicados pelos países participantes atuam em projetos do Parlatino. Eles se encontram esporadicamente no local – boa parte dos contatos é feita por e-mail ou telefone. A cada ano, cerca de 1500 legisladores visitam a sede. Mesmo o atual presidente do órgão, o senador chileno Jorge Pizarro Soto, dá expediente por lá apenas dois dias por mês. “Ficaremos muito bem em 1 000 metros quadrados”, afirma o deputado federal Bonifácio Andrada (PSDB-MG), representante brasileiro na junta diretiva do Parlatino. Ele se refere ao espaço que a instituição deverá ocupar a partir do ano que vem – uma área do Palácio do Buriti, em Brasília, que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, estuda ceder. “O que não pode acontecer é o parlamento deixar de ser sediado no Brasil, já que sua posição aqui reforça a idéia de que somos líderes desse bloco de países.”

A direção do Memorial da América Latina ainda não sabe que destino dará ao edifício do Parlatino. Por causa de seu confortável auditório, fala-se que sua vocação natural seria a de centro cultural dedicado à música. Qualquer decisão nesse sentido terá de ser aprovada pela Secretaria de Ensino Superior. O projeto do Memorial, idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro e inaugurado em 1989, determina como uma de suas principais missões o incentivo no meio acadêmico paulista a pesquisas e atividades relacionadas à América Latina. Por isso fazem parte do conselho curador do Memorial os reitores das três universidades estaduais – Unicamp, USP e Unesp. Com a transformação do Parlatino em casa de shows, é provável que o local se torne mais conhecido dos estudantes – e do público em geral – do que agora. Se não fosse pelo despejo, poucos paulistanos saberiam o que se passa dentro do belo elefante circular da Barra Funda.

250 metros quadrados para cada funcionário

Tamanho do prédio:

Continua após a publicidade

6 500 metros quadrados

Número de funcionários:

26

Continua após a publicidade

Orçamento anual:

4,5 milhões de reais

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês