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Paraisópolis é até 15 °C mais quente que o Morumbi no verão, diz estudo

Segundo publicação do Centro de Estudos da Favela (Cefavela) da UFABC, as mudanças climáticas acentuam as desigualdades em São Paulo

Por Agência Brasil
29 dez 2025, 16h14 •
Imagem mostra foto aérea de prédio com uma piscina por andar, com sacadas em espiral e, ao lado, favela, com pequenas casas, a maior parte com tijolos expostos
Condomínio Penthouse, no Morumbi: imóveis depreciados (Alexandre Battibugli/Veja SP)
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  • Um estudo do Centro de Estudos da Favela (Cefavela), da Universidade Federal do ABC (UFABC), mostrou que as mudanças climáticas acentuam as desigualdades na capital paulista. As altas temperaturas revelam mais uma dimensão da crise habitacional da cidade, atingindo sobretudo os locais em que a situação já era estruturalmente mais precária e vulnerável.

    No último verão, entre o final de 2024 e início de 2025, a favela de Paraisópolis registrou temperaturas de superfícies como telhados, ruas e solo de até 45°C. Enquanto isso, no Morumbi, bairro vizinho considerado de alto padrão econômico, foram registradas médias em torno de 30°C.

    Os pesquisadores utilizaram dados de 19 imagens termais de um satélite de observação da Terra, referentes ao período de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025. As imagens medem a temperatura das superfícies, portanto, os valores obtidos são mais altos do que a temperatura do ar.

    Pesquisador do Cefavela, Victor Fernandez Nascimento afirmou que 30°C já é um valor absurdamente alto. “Nessa temperatura, aumenta em 50% os riscos de problemas de saúde, principalmente para aquelas pessoas que são mais vulneráveis, como bebês, idosos e (portadores de) alguns tipos de doenças”, disse.

    “Além desses aspectos biológicos, um dos fatores que influencia bastante (na vulnerabilidade ao calor) são os aspectos sociais. Normalmente as regiões mais pobres do município de São Paulo são aquelas mais vulneráveis a sofrer com as os efeitos de ondas e ilhas de calor. Isso leva a vários problemas, como aumento do número de infartos”, acrescentou o pesquisador.

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    Ele explicou que os problemas de saúde causados pelas ondas e ilhas de calor são chamados silent killers ou assassinos silenciosos. “Morrem no Brasil hoje 21 vezes mais pessoas por doenças causadas por aumento da temperatura e ilhas de calor do que por desastres como o deslizamento de terra”, alertou.

    Desigualdades

    Condições como a morfologia do terreno e a disposição de estruturas pela cidade influenciam diretamente as diferenças nas temperaturas entre territórios tão próximos. “Esse fator (morfológico) é fortemente explicado pela falta ou abundância de vegetação nos bairros. Quanto mais arborizado o bairro for, mais amena costuma ser a temperatura”, mencionou Nascimento.

    O intenso adensamento nas favelas é um elemento que também impacta nas temperaturas mais altas, registradas pelo estudo. Em Heliópolis, outra favela paulistana entre as mais populosas, os registros ficaram acima de 44 °C nos dias mais quentes.

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    Os pesquisadores destacam que é importante sensibilizar a sociedade para o fato de que o calor não se trata apenas de um fenômeno meteorológico, mas resultado também do planejamento territorial. Para diminuir o impacto das altas temperaturas na cidade, Nascimento avalia que seria necessário uma combinação de ações em diferentes escalas.

    “Podemos pensar, por exemplo, na escala da cidade, atualizando a questão do plano diretor, favorecendo a arborização urbana, construções de jardins de chuva, melhorar a drenagem como um todo”, disse.

    Considerando as áreas de assentamentos e favelas, a mitigação de danos inclui aumentar a quantidade de jardins coletivos e hortas urbanas, além de melhorar a questão da ventilação cruzada. “Como são construções muito adensadas, uma grudada na outra, aquela ventilação cruzada que traria um pouquinho mais de frescor, acaba não acontecendo, o que aumenta ainda mais o desconforto térmico dentro das residências”, apontou.

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