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Novas sacolinhas somem do comércio em São Paulo

Pequenos e médios comerciantes enfrentam dificuldades para conseguir o produto

Por Veja São Paulo 15 abr 2015, 10h25 | Atualizado em 1 jun 2017, 16h57
Sacolinha
Sacolinha (Dário Oliveira/Código 19/Folhapress/Veja SP)
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Dez dias depois da lei entrar em vigor, pequenos e médios comerciantes enfrentam dificuldades para conseguir as sacolas verdes e cinza, autorizadas pela prefeitura em substituição às tradicionais embalagens brancas, que foram proibidas. Segundo uma das principais fabricantes, a demanda hoje é três vezes superior à oferta. A espera pelo produto pode chegar a quarenta dias.

“A procura é de 30 milhões de sacolas, mas em produção temos apenas 10 milhões garantidas hoje, entre verde e cinza. Antes da lei, a demanda pelo produto de polietileno verde era de 10%, agora subiu para 30%”, afirmou Roberto Brito, diretor da Extrusa-Pack. A fabricante atende mais de 100 clientes na capital, entre revendedores e supermercados.

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“Penso que os pequenos comerciantes não se anteciparam. Deixaram tudo para a última hora. Se tivessem feito isso, a indústria teria se preparado.”

Custo

Para dar conta da demanda, a empresa ampliou a jornada de trabalho dos funcionários, incluindo hora extra, além de quadruplicar o número de equipamentos de produção. Brito explica que o material da nova sacola é feito de polietileno verde, da cana-de-açúcar, que custa 7,5% mais do que o polietileno das sacolas comuns. Antes, um comerciante pagava 40 reais por um pacote com 1 000 embalagens. Hoje, a mesma quantidade das novas sacolas custa 90 reais, mais do que o dobro.

Proprietário de um pequeno mercado no centro de São Paulo, Jairo Braz sentiu o aumento no bolso. Ele comprava 1 quilo de sacolas brancas a 10 reais; com as embalagens verdes, gastou 19 reais. Em cinco dias, as 2 000 sacolinhas, recebidas na quinta passada e oferecidas gratuitamente aos clientes, esgotaram-se.

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Sacolinha plástica
Sacolinha plástica ()

“O fornecedor diz que ainda não tem a matéria-prima em quantidade para atender a cidade. A gente tenta comprar em todo lugar e não tem. O fornecedor deu um pouquinho para cada comércio porque, se chegar o fiscal, você diz: ‘Olha aqui, estou tentando’. Mas ninguém fiscalizou, deram uma aliviada até o negócio funcionar”, disse Braz. A alternativa do comerciante foi comprar sacolas na cor verde e amarela na Rua 25 de Março. Ele não cobra dos clientes por considerar “injusto”.

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O distribuidor do comércio de Braz é a Iramag, que atende cerca de 200 clientes. Segundo Irajy Padula, proprietário da empresa, a situação é “muito complicada”, e os distribuidores com maior tempo de mercado têm vantagem. “O tempo de relacionamento com a fábrica conta. Se peço dez, fazem uma forcinha e me arranjam oito. Se um fornecedor novo pede, dão duas. Fidelidade é tudo.”

A gerente de um empório no centro, Maria Valéria da Silva, diz que ficou uma semana sem as novas sacolas. O estabelecimento solicitou 10 000 unidades, mas o fornecedor entregou apenas 2 000.

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A Valbags, fabricante de sacolas plásticas com sede em Minas Gerais, atende cerca de 200 clientes na capital. O gerente comercial Marcelo Beviláqua diz que, como a demanda por sacolas verdes vem apenas de São Paulo, não pode fazer estoque e “deixar o material no chão”.

“Não podemos fazer estoque dessas sacolinhas verdes. Esse produto só serve para isso (cumprir a lei paulistana). Se São Paulo não quiser comprar, não vou ter ninguém para comprar em outros estados. Ainda não temos a confiança de que vamos ter os pedidos suficientes para evitar perdas.” Na fábrica, o prazo de entrega das novas sacolas pode chegar a quarenta dias.

Associações

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), Álvaro Furtado, culpa o executivo pela situação. “Mostramos que era melhor ir devagar, mas a prefeitura não se sensibilizou e criou essa situação ruim.”

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Para a Federação do Comércio e a Associação Comercial, faltou diálogo entre a administração municipal e o setor.

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Em nota, a prefeitura disse que este é um período de adaptação e que, eventualmente, os estabelecimentos podem receber orientação ou advertência.

O diretor da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Paulo Pompílio, confirmou que tem recebido reclamações de associados com dificuldade de encontrar as novas sacolas, mas tranquilizou o mercado. “É adequação de oferta e demanda, isso é ajustável com o tempo.”

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Segundo Pompílio, a Apas tem oferecido aos pequenos e médios comerciantes a possibilidade de compras conjuntas, a fim de baratear o custo e usar a influência de outros mercados tradicionais com as fabricantes das novas sacolas (O Estado de S. Paulo).

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