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No futebol, violência contra a mulher ainda é recorrente

Além de Robinho, Jean, Dudu e Wesley Pionteck também foram levados à Justiça por crimes de gênero

Por César Costa - Atualizado em 17 out 2020, 14h37 - Publicado em 17 out 2020, 14h27

Nesta sexta-feira (16), foram reveladas transcrições dos grampos que levaram Robson de Souza, conhecido como Robinho, a ser condenado a nove anos de prisão por violência sexual de grupo. A defesa do jogador afirma que houve um “equívoco de interpretação” em relação às conversas gravadas com autorização judicial e nega que o atacante seja culpado pelo crime.

Esta não é a primeira vez que um jogador de futebol se envolve em um caso de violência contra mulher. Existem diversos atletas denunciados por esses crimes no esporte. VEJA São Paulo reuniu os casos mais recentes envolvendo jogadores de clubes paulistas que ainda seguem em atividade, mesmo com as acusações. 

De São Paulo para Goiânia

Reprodução/Divulgação/Veja SP

Jean Paulo Fernandes Filho, de 24 anos, teve o contrato suspenso com o São Paulo depois de ser acusado de agredir a ex-mulher, Milena Bemfica, durante as férias em Orlando, nos Estados Unidos. O caso aconteceu no final de dezembro de 2019. 

No boletim de prisão do jogador foi relatado que Milena levou, ao todo, oito socos do atleta durante uma discussão e agiu em legítima defesa ao atacar Jean com uma prancha de cabelo. Um policial que conversou com as filhas do casal relatou que elas viram o goleiro dando socos na ex-esposa.

O atleta chegou a ser preso na ocasião. No entanto, teve a soltura determinada um dia depois em uma audiência ainda em Orlando. No começo deste ano, o jogador foi contratado por empréstimo pelo Atlético Goianiense. O presidente do clube goiano, Adson Batista, justificou dizendo que Jean “é um grande atleta e que merece ter uma nova oportunidade na vida”. 

No dia 21 de janeiro, a promotoria da Flórida pediu o arquivamento do caso. 

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Regime semi-aberto 

Dudu, ex-jogador do Palmeiras: dois casos envolvendo sua ex-esposa Reprodução/Veja SP

O ex-jogador do Palmeiras, Dudu, idolatrado por muitos torcedores por seu desempenho em campo, teve seu nome envolvido com a Justiça por duas vezes por casos relacionados à violência contra sua ex-esposa, Mallu Ohanna Neves Rodrigues.

Em abril de 2015, a Justiça de Goiás condenou o atleta a cumprir serviços comunitários. A denúncia era por agressão, com base na Lei Maria da Penha. No entanto, o juiz entendeu que não houve lesão corporal e nem ameaça por parte de Dudu. 

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A acusação foi desqualificada e a condenação foi emplacada como “Vias de fato”, que não é crime, mas uma contravenção penal. Logo, a pena foi mais leve. Após ser detido, ele pagou R$ 12 000 de fiança. 

Em junho deste ano, o jogador foi novamente acusado de violência por Mallu. Ela relatou em Boletim de Ocorrência ter sido agredida pelo ex-marido com socos na cabeça, na região do peito e puxões de cabelo ao encontrá-lo na garagem do local onde mora. Na época, ele negou a agressão. 

Em meio à disputa judicial, o jogador deixou o Palmeiras rumo ao exterior. O Al Duhail, do Qatar, oficializou o empréstimo de Dudu um mês após as acusações e pode contratá-lo em definitivo se pagar um valor estipulado entre os dois clubes. 

Regime semi-aberto

Atualmente no Bragantino, Wesley Pionteck foi condenado em outubro de 2019 a uma pena de um ano e quatro meses em regime aberto por lesão corporal. O caso foi registrado como violência doméstica depois de agredir a sua namorada na época.

A violência aconteceu em janeiro de 2019. Segundo os autos do processo, Wesley causou lesões corporais graves na então companheira e a ameaçou. A vítima chegou a afirmar que era agredida desde o começo do relacionamento e que, na noite em questão, foi golpeada com uma faca.

Os policiais militares que atenderam ao chamado relataram que a ex-namorada estava toda ensanguentada. No interrogatório, o jogador afirmou ter perdido a cabeça por ciúmes.

A defesa de Wesley chegou a recorrer a decisão na Justiça. No entanto, a condenação foi mantida em segunda instância. A sentença é definitiva e não cabe mais recursos. 

Na época do crime, o atleta pertencia ao Botafogo-SP e estava emprestado ao Santos. Oito dias após o caso, ele mudou de clube, indo para Bragantino também por empréstimo. A atual gestão do Bragantino assumiu em abril de 2019. Ela alega que, à época, não tinha conhecimento do processo envolvendo Wesley.

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