A cada linha que você lê desta reportagem, morre um hipster em São Paulo. No sentido figurado, obviamente. Hip… o que? Vamos às explicações: sabe aquele amigo seu que adora inventar moda mas fica horrorizado quando outras pessoas começam a vestir algo parecido? Então. Assim a gente começa a definir esse tipo diferente de tribo (palavra que eles odeiam, aliás) que se integrou à paisagem social paulistana.
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A bem da verdade, hipster não passa de um jeito diferente de classificar pessoas que, até há pouco, seriam tachadas de moderninhas. O termo começou a ser utilizado em Nova York lá pelo início dos anos 2000, e vem da palavra “hip”, que pode ser traduzida como inovador. “Já utilizaram termos como trendsetter, e amanhã provavelmente vai ser outra coisa”, afirma Pedro Lima, 18 anos, integrante do grupo que há dois anos mantém o blog Underaged Heartbreakers. Os posts que publica com os amigos Adler David, Spencer Quintanilha e Luana Dornelas abordam de compras a comportamento.
Não faltam na internet sites e perfis de redes sociais dedicados a tirar sarro dessa tribo. O mais famoso é o Hipster Cafona, que publica fotos das escolhas de figurino nem sempre inspiradas deles. No Twitter, tem o hilário @tiposdehispter, mantido pelos relações-públicas Fernanda de Souza Pereira e Felipe Modna. “Brincamos com o estereótipo do que virou o moderninho, que é bem blasé e se tornou uma coisa meio falsa”, explica ela.
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O quarteto de blogueiros, que já chegou a cobrir uma edição da São Paulo Fashion Week para o site da jornalista Lilian Pacce, pode ser considerado uma exceção, se comparado aos demais representantes da categoria. Em geral, a tribo é vista com reservas (e comentários venenosos) pela turma fashion — mais ou menos como nos sites mencionados acima. Ainda assim, há quem credite ao espírito novidadeiro dessa turma o fato de algumas peças virarem mania — entre elas estariam os óculos modelo wayfarer e chapéus do tipo fedora. “A gente não leva a sério mesmo quem posa de hipster por aí. Ao contrário”, diz a editora de moda Erika Palomino. “O que vale hoje é uma atitude ‘efortless’. Ou seja, a pessoa que é legal sem parecer que faz força para isso.”
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Ser hipster é…
Idade: 15 a 25 anos
Redutos: Bares, clubes e biroscas do Baixo Augusta, brechós, Avenida Paulista e Starbucks.
Estilo: Diferentão. Se alguém mais tem a mesma peça, perde a graça. Adoram misturar a última tendência de uma grife internacional com um broche ou chapéu que foi da bisavó.
Música: Bob Dylan, Tom Waits, bandas de rock indie como MGMT, Vampire Weekend, Two Doors Cinema Club e She & Him.
Cinema: Godard e Lars Von Trier (bem, é o que eles dizem, né?)
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