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“Que a morte dela não seja em vão”, diz marido da ciclista Marina Harkot

"Marina é vítima tanto do valor ínfimo que a vida tem no Brasil, quanto do sistema que é voltado para o carro", desabafou Felipe Burato

Por Redação VEJA São Paulo 11 nov 2020, 16h11

Felipe Burato, marido da cicloativista Marina Harkot, 28, atropelada e morta em São Paulo no último domingo (8), participou no programa Encontro com Fátima Bernardes nesta quarta-feira (11). Ele contou detalhes sobre a luta da jovem na área da mobilidade urbana.

Segundo Felipe, Marina foi vítima do sistema que prioriza o carro no Brasil e não quer que a luta dela por “uma cidade mais acolhedora” seja em vão. “A Marina é vítima tanto do valor ínfimo que a vida tem no Brasil, quanto do sistema que é voltado para o carro”, afirmou. “Ela sempre acreditou na construção de políticas públicas. A gente está buscando forças para que a morte dela não seja em vão, para que as coisas mudem”, disse. 

Felipe também contou sobre as últimas conversas antes da morte da jovem momentos antes de ela ser atropelada por um carro na Avenida Paulo VI, no Sumaré. Ele disse que tinha conversado com a ativista às 23h15 do sábado (7) e a esperava em casa, mas quando ligou novamente para a esposa, foi atendido por um policial.

“Ela sofreu esse homicídio em um caminho que ela fez sei lá quantas milhares de vezes. (…) A Marina começou a demorar para chegar em casa e eu comecei a tentar descobrir. Eu não conseguia falar com ela. Até que uma policial atendeu e pediu para eu ir à DP, porque ela tinha sofrido um acidente. Não disse que tinha falecido, e aí eu descobri chegando na delegacia”, relata.

De acordo com ele, Marina tinha ido visitar duas amigas e o caminho que fazia era adaptado para bicicletas, com ciclofaixa. “Marina é vítima de um sistema que coloca o carro como dono da rua. Quando você coloca uma ciclovia péssima ao lado de uma via ótima, o cara que está dentro do carro se sente no direito para bater em uma pessoa que está na bicicleta. Segregar não vai resolver, não vai tornar o trânsito mais gentil, não vai ter melhora”, defende.

Depois do atropelamento, o motorista José Maria da Costa Júnior fugiu sem prestar socorro. Ele se apresentou à Polícia na tarde da última terça-feira (10) e foi indiciado por homicídio culposo e pela fuga do local, mas foi liberado em seguida. De acordo com a defesa, ele fugiu “porque se apavorou” e não havia consumido bebida alcoólica.

A Polícia havia feito um pedido de prisão preventiva, mas o juiz não apreciou a peça. Por causa da lei eleitoral, Costa Júnior só poderia ser preso até a 0h de terça-feira. Nesta quarta-feira (11) começa a valer a lei eleitoral que impede prisões que não sejam em flagrante cinco dias antes da eleição.

 

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