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Por feriadão, Doria dá ‘puxão de orelha’ em Covas, que rebate críticas

Governador disse que ação deveria ser combinada com cidades do litoral, mas prefeito não gostou e mandou recado

Por Redação VEJA São Paulo 19 mar 2021, 12h43

João Doria criticou a medida adotada pelo prefeito Bruno Covas de decretar um megaferiado na capital. Segundo o governador, não houve conversas prévias com o estado nem com outros prefeitos do litoral paulista. A antecipação poderia causar uma corrida da população às praias. 

“Infelizmente a decisão do prefeito foi anunciar sem entendimento prévio, o que criou esse mal estar. Recebemos várias manifestações de prefeitos e prefeitas do litoral e da região metropolitana. O Centro de Contingência está avaliando e hoje temos uma reunião para anunciar algumas medidas. Vamos atender a solicitações que forem feitas por esses prefeitos para evitar a superlotação no litoral com mais contato, mais contágio. Eles têm toda razão nessa preocupação”, afirmou Doria.

Ele também disse que as prefeituras têm autonomia para tomar as próprias decisões para tentar frear o coronavírus. “Mas há certas decisões que o bom senso recomenda que sejam compartilhadas com o governo, dado o impacto nas cidades vizinhas. Faltou um pouco de bom senso da prefeitura para evitar o mal estar que acabou provocando. Vamos reduzir isso ao mínimo possível”, disse Doria

Bruno Covas, que foi até o Hospital Sírio Libanês para uma sessão de quimioterapia, rebateu as críticas. “O senso que falta é o senso de urgência. Aqui na prefeitura tem menos falação, foco no trabalho e colaboração. Faço o máximo que posso para defender o povo da minha cidade. Sempre aberto a colaborar com outras cidades e com o governo do Estado. Mas cada um precisa assumir suas responsabilidades”, afirmou.

Feriadão

A polêmica acontece porque o prefeito anunciou um megaferiado na cidade. Segundo ele, o objetivo é diminuir a circulação de pessoas na capital, diminuindo o contágio pelo coronavírus. O feriado vai do dia 26 de março a 4 de abril. Foram antecipados dois feriados municipais de 2021 e outros três de 2022, totalizando cinco.

O medo das autoridades é de que o sistema de saúde entre em colapso. A taxa de ocupação de leitos de UTI na cidade está em 90%. No sábado (13), morreu o primeiro paciente que aguardava por um leito especializado. A vítima tinha 22 anos. Até quinta-feira (18), 475 pessoas aguardando vaga de terapia intensiva na capital paulista.

A possível ida de paulistanos ao litoral durante o feriado foi tema de pergunta de jornalistas durante o anúncio da medida. O prefeito respondeu dizendo que “teme que as pessoas não entendam que este não é momento de confraternização. Com ou sem feriado, elas podem desrespeitar essas regras, seja indo numa festa clandestina, seja lotando as praias. É preciso que as pessoas entendam que é um momento de doação, de se pensar num bem coletivo.”

 

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