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Jardim Paulista vive processo de verticalização

O bairro, que sempre concentrou o comércio e a vida noturna mais elegantes da cidade, passa por mudanças em sua paisagem

Por Vanessa Barone
28 nov 2025, 08h00
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Fachada do restaurante Ritz, que está há 43 anos na Al. Franca: mudanças no entorno (Roberto Setton/Veja SP)
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Um símbolo do requinte de São Paulo está em processo de transformação. Como ocorre em outras áreas nobres da cidade, o bairro do Jardim Paulista, na Zona Oeste, está sendo verticalizado, substituindo casas e prédios baixos por torres modernosas e de altura estonteante.

Inevitável em se tratando de uma metrópole, dirão alguns. Mas também preocupante — uma vez que o charme do bairro foi exaltado na capa da primeira Vejinha (foto), com belas ilustrações do artista Ivald Granato (1949-2016). E ninguém gostaria de ver o lugar perder o seu elã.

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Capa da primeira edição da Veja São Paulo: homenagem aos Jardins (Reprodução/Reprodução)

Por Jardim Paulista é conhecida a região que reúne alamedas com nomes de cidades do estado, como Itu, Jaú, Franca e Lorena, por exemplo. Ele é parte de uma área mais ampla, os Jardins, grupo formado por ele e seus “irmãos” arborizados: Jardins América, Europa e Paulistano.

Mas sempre foi o mais badalado da família, reconhecido por suas ruas de comércio grifado, seus restaurantes sofisticados, mas principalmente pela aura de cidade europeia, lugar do desfile de gente bonita, antenada e bem relacionada.

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Detalhe de construção na rua Augusta: comércio indo para o chão (Roberto Setton/Veja SP)

“A Rua Augusta tinha lojas históricas, era o nosso shopping a céu aberto. Hoje, está sem glamour e um verdadeiro canteiro de obras de grandes edifícios”, diz a advogada Célia Marcondes, fundadora e atual vice-presidente da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc), que acredita estar havendo, no lugar, uma verticalização predatória e que não contempla a revitalização de uma das ruas mais famosas da cidade. E, por conta disso, a região está perdendo a cara.

Por meio do movimento Viva Augusta viva, a Samorcc vem lutando para conservar lugares tradicionais, como o cinema, localizado no chamado Baixo Augusta, parte da rua que fica mais próxima ao centro da cidade. “Mas há muito estabelecimento indo para o chão, não apenas lá, mas em outras vias, como a Oscar Freire”, completa Célia.

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Tapumes escondem obra onde ficava a cafeteria Cristallo: perda histórica (Roberto Setton/Veja SP)

Quem se acostumou a tomar um café na Cristallo da Oscar Freire, por exemplo, já deve ter reparado que a tradicional cafeteria, que resistiu ali por cinquenta anos, deu lugar a uma megaconstrução, atualmente coberta por tapumes. A cafeteria foi fechada em janeiro do ano passado.

Para o corretor de imóveis Will de Almeida, especializado nos Jardins, a região vive tempos de “incorporação 2.0”, em que até prédios inteiros, mais antigos, estão sendo derrubados para dar lugar a novos empreendimentos. “Hoje, há uma busca maior por apartamentos altos, com uma boa vista da cidade”, explica o corretor. Grande parte da demanda vem de novos moradores da cidade, que migram das regiões Norte e Nordeste e elegem os Jardins para morar.

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Há também um movimento de moradores vindos de outros bairros da cidade. “A região ainda é relativamente segura, arborizada, gostosa de viver”, diz Will, ele mesmo um morador do lugar. “Acredito que o bairro esteja ficando mais plural, e isso é benéfico”, aponta. Mas isso se dá também pelos endereços que ainda permanecem nas redondezas, como o Clube Paulistano e o empório Santa Luzia, no número 1471 da Alameda Lorena.

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Fachada do restaurante Rodeio, na rua Haddock Lobo: herói da resistência (Roberto Setton/Veja SP)

“Muita gente quer morar lá perto”, garante o corretor. O sofisticado mercado é um dos que resiste à verticalização, além de restaurantes como o Rodeio (Haddock Lobo) e o Ritz (Alameda Franca) e bares como o Balcão (Alameda Tietê), ainda bastante frequentados por quem vive ou passa pela região. Para o empresário e sócio do restaurante Ritz, Octavio Horta, as mudanças nos arredores são inegáveis. “Estamos resistindo há quarenta anos, mas nunca se sabe o que vai acontecer”, diz. Por ora, esse ponto de encontro de um público interessante e animado continua intacto e cheio de charme.

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