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IBGE começa a mapear o que mudou em São Paulo

Como preparação para o Censo, funcionários do IBGE percorrem a cidade e registram a nova cara dos bairros

Por Giuliana Bergamo
21 jun 2010, 18h15 • Atualizado em 1 jun 2017, 18h44
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prédios_rua_carlos_weber (Fernando Moraes/)
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  • Os bairros paulistanos passaram por mudanças, em alguns casos drásticas, ao longo da última década. Conforme o aquecimento econômico impulsionava o mercado imobiliário, antigos e enormes galpões de fábricas davam lugar a condomínios de prédios com infraestrutura de fazer inveja aos melhores clubes. Ao mesmo tempo, ruas e avenidas foram construídas para acompanhar o crescimento do município, dar conta dos congestionamentos e comportar estações de metrô.

    Para registrar alterações como essas, 1 600 funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passaram a circular pela capital em 12 de abril último. Munidos de um computador do tamanho de um celular, têm a tarefa de atualizar mapas, registrar novos domicílios e averiguar as condições de esgoto, coleta de lixo, arborização, iluminação… Enfim, mapear o que mudou — e de que maneira — desde o último censo, em 2000. “Essas informações serão preciosas para a população cobrar ações da prefeitura”, diz Aparecido Soares da Cunha, coordenador operacional do Censo no estado de São Paulo.

    Batizado de pré-coleta e realizado pela primeira vez neste ano, o trabalho antecede o recenseamento previsto para começar em 1º de agosto. VEJA SÃO PAULO acompanhou duas equipes no Tatuapé, na Zona Leste, e na Vila Leopoldina, na Zona Oeste, dois dos bairros que mais sofreram modificações nos últimos tempos. Ao caminhar pela Rua Carlos Weber, na Leopoldina, o supervisor Teonilio Ribeiro Filho, que já foi morador da região e trabalhou no Censo 1991, aponta cada mudança que viu ocorrer ali. “Aqui havia uma firma ao lado da outra: a Lorenzetti, uma siderúrgica, fabricantes de café, tubos e papelão”, lembra.

    Ribeiro também conta que imóveis hoje comerciais, como uma loja de decoração e uma academia, antes eram casinhas térreas ocupadas por famílias de poder aquisitivo bem menor que o dos atuais habitantes da região. Para se ter uma ideia, na última década o preço do metro quadrado saltou de 1 450 reais para 4 100 reais, em média, nos mais de quarenta condomínios ali erguidos. Em alguns deles, como o Horizons, da construtora e incorporadora Even, chega a 5 500 reais.

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    Nas ruas do Tatuapé, duas jovens funcionárias do IBGE, Angela Daher, de 26 anos, e Ana Carolina Prado, de 28, dedicam-se à missão de abordar porteiros e zeladores dos prédios de classe média erguidos recentemente. Não é fácil, pois, por questões de segurança, eles costumam ser arredios. “São caixas-fortes”, diz Ana Carolina, que já foi expulsa aos berros por um segurança. A região em que as duas atuam, assim como a Vila Leopoldina, até há pouco era repleta de fábricas e casinhas modestas. Em dez anos, foram construídos 135 residenciais e o metro quadrado passou de 1 700 reais para 4 600 reais. Na maioria das vezes, a dupla é obrigada a colher todas as informações (quantidade de apartamentos, torres e andares, distribuição das unidades por pavimento, numeração) pelo interfone, o que dificulta a comunicação. Elas aproveitam a oportunidade para abrir caminho para os recenseadores, que deverão falar com pelo menos um morador de cada domicílio no censo propriamente dito.

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