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Hotel Mandarin Oriental presta serviços de rei

Com três funcionários para atender cada apartamento, o cinco-estrelas Mandarin Oriental, em Bangcoc, parece ter saído de um conto de fadas

Por Mario Viana
28 Maio 2010, 23h17 • Atualizado em 5 dez 2016, 18h46
  • Sabe quando você conta a um amigo que vai se hospedar num hotel chique e fica com a impressão de que rolou uma pontinha de inveja? Bem, no caso do Mandarin Oriental de Bangcoc, capital da Tailândia, a dor de cotovelo seria totalmente justificável. Trata-se de um cinco-estrelas que, como o Plaza, de Nova York, e o Copacabana Palace, do Rio de Janeiro, ocupa um lugar especial no coração dos viajantes por combinar tradição, instalações confortáveis, serviços de primeira e charme a toda prova. Isso pode ser percebido logo na chegada. Confirmada a reserva, hóspede e recepcionista sobem ao apartamento: a formalidade burocrática de assinar a ficha de entrada é feita no conforto do quarto. Depois de 22 horas de viagem — é o mínimo necessário para percorrer os 16 384 quilômetros que separam São Paulo de lá —, o corpo agradece qualquer carinho.

    Ao longo da estada, haverá sempre uma cesta de frutas frescas no quarto com simpáticos cartões explicativos sobre tangerina, manga, pera e longana, uma prima da lichia. Quando abre a cama, à noite, a camareira deixa sobre os travesseiros uma orquídea e um dos treze cartões com versos relativos ao prazer de dormir. A referência à literatura, aliás, é uma marca dali: em seus quartos, já pernoitaram escritores como o inglês Somerset Maugham e os americanos Gore Vidal e Ernest Hemingway. Hoje o hotel está entre os preferidos de personalidades de outro perfil, como o jogador de futebol David Beckham.

    Construído à beira do Rio Chao Phraya, ocupava um charmoso prédio de três andares que abriga o agora Author’s Lounge, espaço onde se serve o chá da tarde (55 reais por pessoa). Nos andares de cima, ficam as três suítes Heritage, que têm 100 metros quadrados de área cada uma e diárias a partir de 1 800 reais, e a Joseph Conrad Suíte, em homenagem ao autor de ‘Coração das Trevas’, que passou por lá em 1888. Essa última custa 2 250 reais por dia e tem terraço com vista para o rio.

    Mimos e serviços são semelhantes nos 358 apartamentos e 35 suítes, inclusive os arranjos feitos com os mais de 100 tipos de flores cultivadas no próprio hotel. O que muda é o espaço. Nos apartamentos, a área varia de 40 a 65 metros quadrados, com diárias a partir de 710 reais. As suítes podem chegar aos 295 metros quadrados da Royal Oriental (diárias de 8 200 reais, com café da manhã). A preocupação com exclusividade é tanta que não se limita à decoração: nem mesmo os robes de seda são iguais aos do hóspede vizinho.

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    O Chao Phraya divide o Mandarin Oriental em dois. Para cruzá-lo, há uma linha exclusiva de barcos de madeira, que também levam à estação do Skytrain, o metrô suspenso de Bangcoc. A bordo dele, chega-se a ótimas atrações: o mercado Chatuchak, de produtos típicos, a Casa de Jim Thompson, com seus artigos de seda, e a área de Sukhumvit, boa para gastronomia e compras. Quem não sai do hotel e não cruza o rio pode relaxar à beira da piscina ou conhecer alguns dos restaurantes, como o China House e o francês Le Normandie — os homens só entram de paletó e gravata, vale avisar. O jantar de seis pratos custa, em média, 250 reais por pessoa, fora os 200 reais que são gastos com vinho.

    Do outro lado do rio, ficam o fitness center, o restaurante Sala Rim Naam — com um excelente bufê no almoço e jantar com dança típica — e o Oriental Spa, com quase 2 000 metros quadrados. Além de oferecer as massagens tradicionais, o spa segue a corrente indiana ayurvédica. Dá para fazer o Ayur Bandam, um pacote para casal com massagens e banhos que dura noventa minutos (550 reais). Ou ser mais radical e passar quatro horas e meia experimentando o Ayur Sangam (1 100 reais, por quatro conjuntos de massagens e aulas de respiração).

    Hoje parte de uma rede que totaliza mais de 10 000 quartos em 41 endereços distribuídos por 26 países, o Mandarin Oriental foi inaugurado em 1876. Tinha entre seus primeiros sócios Louis Thomas Leonowens, filho de Anna Leonowens, a professora britânica que inspirou a história do musical ‘O Rei e Eu’ — ela foi contratada para ensinar inglês aos herdeiros do trono local, no século XIX.

    Por falar em sangue azul, qualquer um tende a se sentir integrante da nobreza diante de tantos mimos e atenções: são 1 200 funcionários — média de três para atender a cada apartamento — esmerados em agradar. O hóspede não fica vinte segundos na recepção, no restaurante ou no bar sem que alguém venha atendê-lo. Não é exagero. Dá para contar no relógio. Não se chega nem sequer a apertar o botão do elevador, missão de que se incumbe o mordomo a postos naquele andar. Ele ajuda a desfazer as malas, passar as roupas que serão usadas nos dias seguintes e, antes do check-out, arrumar a bagagem. Faz tudo isso com um sorriso nos lábios e as mãos unidas à altura do peito, um gesto típico dos tailandeses.

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