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Feminicídios crescem no estado de São Paulo em janeiro

O Brasil atingiu número recorde de 1 518 vítimas em 2025, o que representa quatro mortes por dia; confira os números

Por Agência Brasil
28 fev 2026, 11h44 • Atualizado em 28 fev 2026, 11h45
Carros da Polícia Militar
Viaturas da Polícia Militar (SSP/Divulgação)
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  • O número de vítimas de feminicídio no estado de São Paulo aumentou em janeiro deste ano, em relação ao mesmo período de 2025. Foram 27 mulheres assassinadas no mês, cinco vítimas a mais do que o número registrado em janeiro do ano anterior. Os dados foram divulgados na sexta-feira (27), no portal da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP).

    Em 15 ocorrências, os autores foram presos em flagrante, segundo a pasta. Nas cidades do interior paulista, foram 20 mortes no primeiro mês deste ano, com 12 prisões em flagrante. As demais vítimas foram mortas na capital e na região metropolitana.

    A pesquisadora Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), da Universidade Estadual de Londrina (Uel), explica que são várias as situações que fazem com que o ciclo de violência contra as mulheres seja negligenciado e, então, o crime de feminicídio aconteça.

    “O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. E ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos. A própria Lei Maria da Penha, que tipifica vários tipos de violência – psicológica, emocional, patrimonial – ela explica o quanto esse ciclo de violência vai se agravando”, disse.

    A pesquisadora acrescenta que o machismo, a misoginia e uma sociedade voltada para os valores masculinos contribuem para que as pessoas ignorem os sinais de violência que precedem os feminicídios.

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    “Muitas vezes a mulher se sente intimidada, envergonhada, não socializa isso com a família. Quando ela socializa, muitas vezes, a família diz que é (apenas) um momento, uma fase”, relatou.

    Além disso, casos recentes de feminicídio que tiveram destaque na imprensa recentemente demonstram que, mesmo mulheres com medida protetiva contra seus agressores, não receberam efetivamente a proteção do Estado e acabaram mortas por eles. “Seria importante a gente ter políticas públicas mais eficazes e que essas mulheres possam se sentir de fato acolhidas”, disse Bertasso.

    A masculinidade tóxica é mais um elemento que gera violência contra as mulheres no país. “A gente tem uma linha de pesquisa que estuda a machosfera, e a gente tem percebido que essas redes têm fortalecido muito esses ideais [machistas e misóginos]. E isso, infelizmente, está formando jovens e crianças com esse pensamento.”

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    “Precisaria ter uma educação voltada para relações de gênero nas escolas como obrigatório, para evitar que essas crianças e jovens sejam cooptados por esse espaço digital que não tem muito controle”, avaliou.

    Recorde de feminicídios

    O Brasil atingiu número recorde de 1.518 vítimas de feminicídios em 2025, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o que representa quatro mortes por dia. No ano anterior, em 2024, o país já havia atingido recorde, com 1.458 vítimas.

    Em 2025, o estado de São Paulo também registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2018. Em todo o ano, as vítimas chegaram a 270, o que representa um aumento de 6,7% em relação a 2024, quando o número chegou a 253. Os dados estão disponíveis no site da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP).

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