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Acusado de corrupção, Russomanno lidera intenções de voto em São Paulo

Segundo delação premiada, ele teria recebido dinheiro do mensalão; quatro candidatos aparecem empatados nas eleições mais imprevisíveis dos últimos tempos

Por Ana Carolina Soares e Carolina Giovanelli Atualizado em 1 jun 2017, 16h06 - Publicado em 25 jun 2016, 00h00

O deputado federal mais votado em 2014, com mais de 1,5 milhão de votos, e apresentador do quadro Patrulha do Consumidor, na Record, Celso Russomanno, do PRB, recebeu uma boa e uma má notícia na terça (21). O motivo para festa: segundo pesquisa eleitoral divulgada pelo Ibope Inteligência, ele ocupa de forma isolada, com 26% das intenções de voto, a liderança da corrida à prefeitura da cidade. O balde de água fria veio em forma de uma reportagem sobre os detalhes de uma delação premiada no âmbito da Lava-Jato.

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De acordo com o denunciante, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP), Russomanno teria se beneficiado do mensalão, recebendo regularmente remessas de dinheiro entre 2003 e 2011. “É mentira, saí do PP em 2011 justamente por causa desse esquema de corrupção”, diz o acusado. “Ninguém vai jogar meu nome na lama.” Ele pretende entrar com processos nas esferas cível e criminal, e com uma ação no Ministério Público do Paraná contra Corrêa. “Esse cara vai ter de provar tudo senão quiser ficar na cadeia e pagar uma baita indenização”, ameaça.

No levantamento do Ibope, bem abaixo de Russomanno aparecem quatro candidatos empatados dentro da margem de erro de quatro pontos porcentuais. Marta Suplicy, do PMDB, é mencionada por 10% das pessoas consultadas. Na sequência, vêm Luiza Erundina, do PSOL (8%), o atual prefeito Fernando Haddad, do PT (7%), e João Doria, do PSDB (6%). Os brancos e nulos somam 21%. A análise foi encomendada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região. As entrevistas com 602 paulistanos ocorreram entre 16 e 19 de junho.

Marta Suplicy
Marta Suplicy

Além do equilíbrio entre esses concorrentes, as fragilidades do líder tornam a eleição municipal, com o primeiro turno marcado para daqui a três meses, uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos. Antes da recente denúncia do mensalão, Russomanno tinha muito com que se preocupar. Ele corre o risco de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa e de ter a candidatura inviabilizada por um fantasma do passado.

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Trata-se de uma condenação por peculato da Justiça Federal, em 2014, com pena de prisão de dois anos e dois meses. De acordo com a sentença, entre 1997 e 2001, uma funcionária tinha seu salário pago pela Câmara, mas trabalhava de fato na produtora do político. “O juiz interpretou errado: ela só assinou um documento na minha empresa, mas não dava expediente lá”, alega. O deputado apelou para o Supremo Tribunal Federal e, em caso de uma nova condenação, ficará impedido de prosseguir na disputa pela prefeitura. O processo aguarda julgamento da ministra Cármen Lúcia.

Apesar dos problemas, Russomanno exibe uma taxa de rejeição mais baixa que a de seus principais adversários: 22%. “Neste momento, as pessoas estão desconfiadas de todos os nomes”, acredita o cientista político Rubens Figueiredo. “Querem alguém que cuide delas e as defenda, imagem passada pelo apresentador.”

Nas eleições municipais de 2012, Russomanno exibia 35% das intenções de voto e seguiu boa parte da corrida na pole position. Mas despencou catorze pontos nas últimas duas semanas e perdeu a vaga no segundo turno para José Serra (30,7% dos votos) e Fernando Haddad (28,9%). “Até hoje acho isso estranho, mas tive pouco tempo na televisão e os demais candidatos me bombardearam”, reclama.

Luiza Erundina
Luiza Erundina

No campo da rejeição aos postulantes atuais, Haddad é o que se vê em pior situação. Quase metade dos entrevistados declarou que não cravaria seu nome na urna. O vínculo ao PT, a legenda mais envolvida nas denúncias da Lava-Jato, não ajuda, é claro. Além disso, contam pontos negativos as promessas não cumpridas em áreas importantes como saúde e educação.

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Mesmo projetos concebidos para ser as vitrines de sua gestão dividem os paulistanos. Suas ciclovias chegaram a receber 80% de aprovação em setembro de 2014. Com o passar do tempo, ficaram mais claros os erros de planejamento dessa política e os custos das obras, entre os mais caros do mundo. Hoje, os paulistanos estão bem divididos sobre essa questão (51% da população aprova a iniciativa, segundo o Ibope).

Marta Suplicy encontra-se em segundo lugar na lista dos “rejeitados”. Petista histórica, ela se filiou ao PMDB em setembro do ano passado. Para muitos eleitores, o movimento a deixou com a pecha de “traidora”. Além disso, seu partido atual vem ocupando, cada vez mais, um lugar de destaque nos escândalos trazidos à tona pela Lava-Jato. A ideia de escolher um nome novo para se contrapor ao desgaste atual dos políticos explica a gênese da candidatura do empresário João Doria.

João Dória
João Dória

Apadrinhado pelo governador Geraldo Alckmin, o tucano tem taxa de rejeição de 10% e espera crescer na disputa, à medida que seu nome fique mais conhecido entre os eleitores. Mas ele enfrenta uma forte oposição dentro do próprio partido, não apenas por ser um novato no ninho.

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Nas prévias da legenda para a escolha do cabeça de chapa, dois caciques do PSDB, Alberto Goldman e José Aníbal, ingressaram com ação no diretório municipal da sigla acusando o empresário de propaganda ilegal e abuso de poder econômico. Ele acabou inocentado. No fim do mês passado, os dois políticos resolveram recorrer ao Ministério Público Eleitoral. O caso está sob investigação. Procurado por VEJA SÃO PAULO, Doria, através de seu advogado, negou as acusações.

RETRATO ATUALDA CORRIDA

O resultado da pesquisa Ibope Inteligência divulgada na semana passada

Celso Russomanno — 26%

Marta Suplicy — 10%

Luiza Erundina — 8%

Fernando Haddad — 7%

João Doria — 6%

Andrea Matarazzo — 4%

Marco Feliciano — 4%

Delegado Olim — 3%

Major Olímpio — 2%

Roberto Tripoli — 2%

Laércio Benko — 1%

Levy Fidelix — 1%

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