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Aumento na conta de luz: dicas para reduzir o consumo de energia elétrica

De medidor inteligente a “streaming” de energia solar, paulistanos buscam meios para fugir do novo reajuste da bandeira vermelha e economizar eletricidade

Por Humberto Abdo Atualizado em 16 jul 2021, 10h12 - Publicado em 16 jul 2021, 06h00

Com o reajuste de 52% na bandeira vermelha da conta de luz, paulistanos voltaram a atenção a todas as alternativas possíveis para economizar. Uma delas é o “streaming” de energia solar, serviço de empresas como a Sun Mobi. “A procura cresceu 40% no último mês pela preocupação com o tarifaço”, diz o sócio Alexandre Bueno. Com duas usinas solares no estado, a startup injeta na rede toda a energia que produz e depois divide entre seus clientes os créditos recebidos da distribuidora. Com uma assinatura mensal, os usuários ganham os créditos para serem descontados na conta e recebem um sensor que indica possíveis desperdícios.

“Em vez de usar só a energia de Belo Monte, por exemplo, a sociedade usa a nossa, o que é bom para o sistema elétrico”, explica. O valor da mensalidade é definido de acordo com o consumo mensal. “Mas o problema é simples: sem chuvas, as usinas hoje estão secas e faltam elétrons (energia). Quanto mais consumirmos, mais vai faltar.”

“Tudo o que deixamos ligado, como os aparelhos em stand-by, representa uma potência pequena, mas pode ter grande impacto no valor total”, explica Luiz Carlos Pereira da Silva, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da Unicamp. “Para quem não quer fazer nenhum investimento, já é um bom começo mudar os hábitos e tirar da tomada o que não está sendo usado.”

Ao contar quantos roteadores, decodificadores e outros equipamentos desse tipo mantinha ligados, Silvia Machado descobriu dezoito aparelhos funcionando 24 horas por dia. “Eu fui minha própria cobaia e consegui economizar 30% de energia elétrica depois desses ajustes”, comemora a mentora financeira. Com adaptações na maneira de usar eletrodomésticos, já é possível controlar bem os gastos, segundo ela.

“Nossos maiores vilões são os aparelhos geradores de calor, como o chuveiro elétrico. Soube de pessoas que estavam ligando o aquecedor às 3 da tarde… De jeito nenhum! Usem uma manta”, defende. “No Brasil, a gente também tem a mania de deixar a geladeira na temperatura mais alta com o argumento de que temos o verão, mas o de São Paulo não é forte a esse ponto.”

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No fim do ano, Raphael Paiva resolveu migrar para o sistema completo de energia solar. “Agora o relógio tem duas marcações indicando tudo o que consumimos e quanto da energia gerada pelos painéis foi injetada na rede”, explica. Considerando a eletricidade produzida em casa, o valor passa a ser descontado todo mês. “Pagamos sempre uma taxa mínima à Enel, mas antes nossa conta variava de 450 a 500 reais mensais.

Hoje, mesmo com a taxa, custa no máximo 70 reais.” Paiva mora com mais quatro pessoas em São Paulo e investiu 23 500 reais (parcelados) para receber o novo sistema. “Agora estamos tranquilos até demais, me sinto à vontade para ligar o aquecedor à noite e tenho ar-condicionado, algo que eu jamais sonharia em usar antes.”

Mas com a crise hídrica enfrentada pelo país neste ano os especialistas afirmam que todos devem economizar. “O ideal é substituir equipamentos antigos, tentar aproveitar a crise para buscar essa mudança de comportamento e, se o investimento for possível, gerar sua própria energia”, ressalta o professor Luiz Carlos. “Não adianta gerar energia renovável e depois desperdiçar dentro de casa.”

Fora da tomada

Especialistas dão dicas básicas para reduzir o consumo de energia em casa e evitar o susto com o aumento na conta do mês:

Use lâmpadas LED

“Assim como as fluorescentes substituíram as incandescentes anos atrás, agora é hora de optar pelas LEDs, ainda mais eficientes”, sugere o professor Luiz Carlos.

Evite banhos longos

Os banhos quentes custam caro no inverno e são o maior vilão das contas de luz. O ideal é reduzir o tempo de uso do chuveiro e optar pelo modo “verão” em dias quentes.

Use o ar-condicionado com sabedoria

O aparelho tem consumo similar ao do chuveiro elétrico e costuma ficar ligado por mais tempo. “Se estiver no quarto, feche a porta e as janelas para que ele refresque um único cômodo”, recomenda a consultora financeira Silvia Machado.

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Aproveite os horários de luz natural

Em ambientes naturalmente bem iluminados, evite acender as luzes. Durante o dia, dê preferência pelos cômodos com janelas amplas e paredes claras.

Passe as roupas de uma só vez

“As secadoras e ferros de passar são um problema quando ligados duas ou três vezes por semana. Assim como o dia de trocar o lençol da cama, faça uma agenda e ligue-os só no dia certo”, diz Silvia.

Substitua aparelhos elétricos antigos

“Todo mundo tem aquela torradeira herdada da avó”, brinca Silvia. “Esses modelos antigos também são menos eficientes no quesito consumo de energia.”

Faça a manutenção da geladeira

Por precisar ficar ligada 24 horas por dia, a geladeira é um dos equipamentos que mais consomem energia. Entre modelos antigos, o consumo pode ser ainda maior. “Confira a borracha de vedação para saber se ela está realmente mantendo o frio e evite deixá-la na temperatura máxima”, sugere Silvia.

Evite equipamentos em stand-by

Alguns aparelhos ligados 24 horas costumam gastar pouca energia, mas o consumo acumulado pode ser significativo.

Controle o uso da máquina de lavar

Deixe acumular mais roupas sujas para fazer uma lavagem apenas e otimizar seu uso. Caso o modelo tenha essa opção, utilize o modo econômico.

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Publicado em VEJA São Paulo de 21 de julho de 2021, edição nº 2747

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