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Curió & Cia é dedicada exclusivamente à comercialização do pássaro

Loja na Vila Mariana vende em média dois filhotes por dia e atrai interessados apenas em apreciar a cantoria das aves

Por Giuliana Bergamo Atualizado em 5 dez 2016, 18h32 - Publicado em 15 out 2010, 23h09

Ouvir seus curiós costumava ser o passatempo predileto do administrador de empresas Tooitiro Honda Sakuma. “Todos os dias, chegava em casa exausto e, para relaxar, colocava os bichinhos ao meu lado”, diz. Há dez anos, quando estava prestes a se aposentar, ele abriu com a esposa, Tsutae Hamano Sakuma, a Curió & Cia., na Vila Mariana, loja dedicada exclusivamente à comercialização do pássaro. O negócio deu certo e Honda, como é chamado pelos clientes, resolveu fazer do seu hobby uma profissão. Hoje, vende, em média, dois filhotes por dia — a fêmea vale 400 reais e o macho, 650 reais. Entre os frequentadores do seu endereço, estão também pessoas interessadas apenas em apreciar a cantoria. Nas prateleiras, Honda tem ainda os apetrechos necessários para a manutenção da ave: gaiolas e suportes para elas, caixas especiais para transporte, ninhos artificiais, alimentação e CDs. Com gravações do passarinho, os discos são usados desde cedo para treinar os curiós na arte de cantar bem. Afinal, o grande passatempo dos criadores é levá-los para participar de torneios que ocorrem semanalmente em cidades pelo Brasil.

Com apenas 14 centímetros de comprimento e pesando cerca de 25 gramas, um curió adulto, a partir dos 6 meses, consegue memorizar sequências de até 28 sons. Há dezenas de “canções” diferentes e, quanto melhor o desempenho do bichinho, mais caro ele é. Campeões de gogó chegam a custar mais de 150 000 reais. Por esse motivo, são cobiçados por criminosos. Embora não venda pássaros prontos para a competição, a Curió & Cia. já foi vítima de assaltos a mão armada. Os bandidos também retiram os passarinhos da natureza para, depois, vendê-los. Para minimizar esses problemas, em 1996, o Ibama regulamentou a criação amadora de pássaros silvestres. “Hoje, é preciso que eles sejam registrados pelo órgão e recebam uma anilha, espécie de pulseira atada à patinha que contém registro único”, diz a veterinária do Ambulatório de Aves da USP Marta Brito Guimarães. “Sem ela, as aves não podem participar de torneios nem ser vendidas legalmente.”

 

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