Conheça Diogo Moreira, piloto de Guarulhos que colocou o país de volta à MotoGP
O brasileiro relembra o início da carreira e fala da emoção de competir no Brasil neste fim de semana
Natural de Guarulhos, na Grande São Paulo, Diogo Moreira, 21 anos, é um dos principais nomes da nova geração do motociclismo brasileiro. O piloto começou ainda criança, migrou do motocross para a motovelocidade e foi morar na Europa na adolescência para dar sequência à carreira — trajetória que lhe rendeu o título de 2025 da Moto2, principal categoria de acesso à MotoGP, um feito inédito para o Brasil entre todos os campeonatos do Mundial de Motovelocidade.
O brasileiro chegou à elite do esporte neste ano e vive um momento simbólico: sua estreia na MotoGP, em 2026, encerrou um jejum de 18 anos sem representantes do país na classe rainha da motovelocidade mundial — o último havia sido Alex Barros, que disputou sua última temporada em 2007.
Agora, ele disputa o GP do Brasil, marcado para os dias 20, 21 e 22 de março, em Goiânia, em uma etapa que celebra também o retorno do circuito ao país após mais de duas décadas fora do calendário.
Em entrevista à Vejinha, durante evento promovido pela marca patrocinadora Estrella Galicia, Diogo Moreira falou sobre o começo da carreira na Europa, a rotina intensa e a emoção de correr no Brasil. Confira.
Você começou a correr muito novo. Em que momento percebeu que queria seguir como carreira profissional?
Bom, eu comecei muito novinho, com 3 anos de idade e, até então, era uma brincadeira. A gente ia no fim de semana com os amigos na pista. Era uma brincadeira. Até que chegou o momento que a gente foi para a Europa (com 11 anos). Aí vimos que era uma coisa séria e que começaria mesmo a minha carreira.
Como foi crescer e amadurecer longe do Brasil?
Foi difícil. Eu me mudei com meu pai, só nós dois. Minha mãe foi depois de um ano. Foi bem difícil no começo, sem saber o idioma, sem saber a cultura da Espanha. Mas acho que a gente conseguiu trabalhar mentalmente e se adaptar à situação. Acho que me ajudou muito a ter essa frieza que eu tenho hoje e aplico na moto também.
O que você levou da cultura brasileira e que permanece com você?
Meu jeito de ser. Eu nunca mudei e vou tentar nunca mudar esse meu jeito de ser. Acho que a gente tem que ser como a gente é. Eu sempre fui sorridente, brincalhão, e acho que eu levei isso lá para fora também.
Qual é a parte menos glamourosa da vida de um piloto que as pessoas geralmente não sabem?
Eu diria que as viagens. A gente fica o ano inteiro fora de casa. A gente também não tem tempo para visitar um país, visitar uma cidade. A gente chega em uma cidade nova e vamos direto para a pista. Quando a gente volta para casa, tenta aproveitar mais em casa e tentar ficar com a família.
Qual é a sua expectativa pro GP do Brasil depois da estreia positiva na Tailândia?
Aqui em Goiânia acho que a gente pode ter uma vantagem porque a gente conhece um pouco mais a pista. Eu vou tentar usar essa vantagem. Mas, para mim, vai ser um fim de semana normal. Eu quero estar tranquilo, quero fazer o meu trabalho junto com a minha equipe e tentar não colocar pressão em mim mesmo, porque eu acho que a gente tem é que se divertir.
Qual deve ser a maior dificuldade para vocês nesse GP?
A gente viu que a pista é nova, o asfalto é novo, e trocaram algumas curvas também. Temos que limpar a pista na sexta-feira, por isso temos um pouquinho mais de tempo de treino livre. Eu acho que temos que nos concentrar no setup da moto. Acho que vai ser o mais importante. Como é um circuito novo para todo mundo, temos que aproveitar isso.
Como têm sido seus dias no Brasil desde a chegada, em relação à comida e à família? Estar aqui desperta um sentimento diferente?
É muito bom voltar para casa. Depois de tanto tempo que eu estou morando na Europa, eu venho só no final do ano para ver a família. Eu cheguei na sexta-feira e eu não parei nem em casa ainda. Eu tenho muitos eventos, muitas coisas para fazer. Mas é muito bom voltar. Eu estou muito feliz. Eu me sinto em casa, me sinto muito em casa.
O que você faz que mais te diverte fora das pistas?
Eu gosto de passar o tempo com a família. Como eu fico o ano inteiro viajando, quando eu volto, eu tento estar com a família e voltar para a rotina. Voltar aos treinos, alimentação…. E acho que o mais importante é aproveitar o momento em casa.
Quando você sobe na moto, qual é a última coisa que passa na sua cabeça antes da largada?
A gente tem muita coisa para pensar durante a corrida. A última coisa que eu penso antes de largar são os últimos detalhes. Durante a corrida, a gente tem que pensar no mapa, gasolina, pneu. Então é muita coisa para pensar ali na hora.
Você falou que chegou e foi comer churrasco. Tem alguma outra comida que você quer comer aqui do Brasil?
A gente foi na churrascaria e já comi feijoada também. Mas ainda não fui comer pizza, não fui numa pizzaria boa. Vamos ver se dá tempo esses dias que eu ainda estou mais tranquilo.





