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Carlos Apolinário: “Tiraram Jesus da Paulista, mas deixaram os gays”

Autor do projeto que tenta instituir o Dia do Orgulho Hétero, vereador se opõe à realização da Parada LGBT na avenida

Por Alexandre Aragão
22 jun 2011, 16h12 • Atualizado em 5 dez 2016, 17h59
  • Com a Parada do Orgulho Gay marcada para o próximo domingo (26), São Paulo já recebe milhares de visitantes de diversas partes do mundo. Enquanto isso, entrou em discussão hoje (22), na Câmara Municipal da cidade, uma proposta com a qual a maioria dos participantes do evento não concordaria: a criação do Dia do Orgulho Hétero, que aconteceria todo terceiro domingo de dezembro.

    Responsável pela redação do projeto, o vereador da bancada evangélica Carlos Apolinário (DEM) havia apresentado proposta semelhante em 2007, em resposta à então vereadora Soninha Francine, que tentava aprovar uma lei contra a homofobia. Declarando não ser homofóbico — “Meu cabeleireiro é gay”, se justifica —, Apolinário concedeu entrevista a VEJA SÃO PAULO sobre o polêmico projeto.

    VEJA SÃO PAULO — Por que São Paulo precisa de um Dia do Orgulho Hétero?

    Carlos Apolinário — Quando a gente fala em comemoração, há no calendário da cidade várias datas falando de tudo: Dia da Pizza, do Soldado, da Sogra, do Avô, da Avó, do Regime, do Amigo. Tem todo tipo de coisa no calendário. É um item a mais no calendário. O Dia do Hétero é uma forma de dizer que se nós queremos um mundo melhor tem que ser para todo mundo. Há discriminação contra o nordestino, contra o rico, contra o pobre, contra o evangélico…

    VEJA SÃO PAULO — Não existe discriminação em relação à orientação sexual?

    Carlos Apolinário — Existe, e existe bastante. Mas temos que combater todo tipo de discriminação. O que é discriminação? Pedir que uma pessoa se comporte direito? Isso não é discriminação. Eu não posso falar mal dos excessos dos gays senão sou chamado de homofóbico. Chamo isso de lei da mordaça.

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    VEJA SÃO PAULO — Fazer um “dia do orgulho” de uma maioria, caso dos heterossexuais, não é fomentar a discriminação?

    Carlos Apolinário — Não, não vai fomentar a discriminação. Ninguém vai ficar contra os gays por causa do Dia do Hétero. Tem uma coisa que a gente chama de bons costumes. Tem coisas que são excessos — tanto em relação a gays quanto a héteros. Se os gays defendessem só direitos, a briga seria muito menor.

    VEJA SÃO PAULO — O que o senhor acha de a Parada do Orgulho Gay acontecer na Avenida Paulista?

    Carlos Apolinário — Isso é 100% errado. O Ministério Público e a prefeitura argumentaram que a Avenida Paulista não é um bom lugar para fazer grandes manifestações porque ali existe um circuito de hospitais, além de ser o centro nervoso de São Paulo em relação a bancos e grandes empresas. Com esse argumento tiraram de lá a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Marcha por Jesus, que tem acontecido no Campo de Marte. Qual é a justificativa para manter a Parada Gay na Paulista? Pra mim não existe.

    VEJA SÃO PAULO — Então o senhor é contra qualquer marcha na Paulista?

    Carlos Apolinário — Fiz um projeto de lei que está parado na Comissão de Justiça da Câmara dizendo que na Paulista só pode acontecer a Corrida de São Silvestre, que é uma tradição, o aniversário da cidade, que também é uma tradição, e o Réveillon. Isso não significa que os gays não possam fazer a Parada em Interlagos, na Zona Norte ou na Zona Leste. Eu não estou discutindo a Parada Gay, estou discutindo o local. Tiraram Jesus da Paulista, mas deixaram os gays.

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    VEJA SÃO PAULO — A votação da data travou a pauta da câmara. Não há assuntos mais importantes para os quais seus eleitores esperam votação?

    Carlos Apolinário — Tem. Tanto é que está sendo votado. Na realidade quem travou a pauta não fui eu, foi o vereador Ítalo Cardoso (PT). Se ele não concorda com o meu projeto, pode falar contra e votar contra, não tem problema. Só que ele falou que ou meu projeto saía da pauta ou ninguém votaria nada. É como se o vereador quisesse ser o único dono do plenário da Câmara.

    VEJA SÃO PAULO — Caso a data seja aprovada, o senhor deseja fazer uma parada?

    Carlos Apolinário — Não. Do jeito que a coisa vai, é capaz de ir pouca gente.

    VEJA SÃO PAULO — Por quê?

    Carlos Apolinário — Você me entendeu, né? Estou fazendo uma ironia.

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