Avatar do usuário logado
Usuário

Bar Pandora reabre mais sofisticado

Berço do caju-amigo e um dos símbolos da boemia paulistana, o Pandoro ressuscita mais luxuoso e com novos ambientes

Por Fabio Wright 18 set 2009, 20h30 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h27

Numa terça-feira fria de 2006, veio a notícia que fez muitos boêmios deixar cair o copo de uísque: aquele 25 de julho seria a última noite de funcionamento do Pandoro. Sem aviso prévio, o tradicionalíssimo endereço da Avenida Cidade Jardim, aberto em 1953, fechou as portas. “Vi vários clientes e garçons chorando nesse dia”, relembra o barman Guilhermino Ribeiro dos Santos. Vitimado por incuráveis problemas financeiros, morreu, então, o bar que já foi considerado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha – Prêmio Pritzker em 2006, o título máximo da arquitetura mundial – “o mais internacional de São Paulo”.

Parecia enterrado para todo o sempre. Mas eis que, como Lázaro, o Pandoro ressuscitou. Reabre as portas para o público na segunda 14, no mesmo endereço. “Durante a obra, habitués paravam aqui para espiar, dar palpites e até reclamar da demora”, conta o publicitário Edgard Sahyoun, um dos novos proprietários. Segundo ele, foi investido na reforma mais de 1 milhão de reais. Outro sócio é o arquiteto João Armentano, responsável pelo projeto. Quatro vezes maior que a original, a casa teve o acréscimo de dois salões e de um generoso jardim com três jabuticabeiras. Soma agora 800 metros quadrados e conta com capacidade para 250 pessoas sentadas. Para o bem e para o mal, os ambientes ganharam boa dose de sofisticação. Não espere encontrar mais toalhas nas mesas ou garçons trajados de summer jacket. O velho bar espelhado continua por lá, mas traz a companhia de paredes revestidas de madeira escura, TVs de plasma, balcão de acepipes e adega para 800 garrafas. Dezessete lustres de estilo anos 50 iluminam o lugar.

Ao lado de políticos como Jorge Bornhausen e Guilherme Afif Domingos, o prefeito Gilberto Kassab prestigiou a festa de renascimento, na última terça. “O Pandoro faz parte da história de São Paulo”, disse. “Sua reabertura representa recuperar nossa memória.” Freqüentador desde o fim da década de 60, o ator John Herbert também compareceu à inauguração. “É um dos grandes pontos de encontro na cidade”, afirma. Tanto Kassab quanto Herbert estão entre os setenta clientes representados em caricaturas espalhadas nas paredes. Todas de homens – o que comprova sua justa fama de clube do Bolinha.

Lenda viva do estabelecimento e conhecedor de histórias hilárias do passado do Pandoro – como a do marido que esqueceu a mulher no bar e voltou para casa sozinho –, o barman Guilhermino está de volta ao balcão que ocupava desde 1974. É ele quem sabe a autêntica receita do caju-amigo, criado ali em 1955 e símbolo do bar. Servido em copo alto, o coquetel leva vodca, suco de caju concentrado, compota de caju em calda, açúcar, gelo e três gotinhas de um segredo. “Na véspera do Natal de 2005, fiz 1 025 copos, meu recorde”, orgulha-se. A exemplo do ambiente, o menu foi incrementado. Agora, hits da vida anterior do Pandoro, como o pastel de siri e a coxa creme, dividem a atenção com a empadinha de estrogonofe e o croquete de polenta com rabada.

Pandoro. Avenida Cidade Jardim, 60, Jardim Europa, 3063-1621. 12h/1h. Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Estac. c/manobr. (R$ 12,00).

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês