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Bandido diz que consegue desbloquear todos os modelos de iPhone

Delegado explicou como criminosos conseguem invadir celular e contas bancárias; ao menos três pessoas ensinam a 'técnica' na cidade

Por Redação VEJA São Paulo 7 jul 2021, 17h55

No final de 2020, a polícia paulista realizou uma das maiores operações contra quadrilhas especializadas em invadir contas bancárias após o furto de celulares. Um criminoso declarou que conseguia desbloquear os aparelhos. “Consigo desbloquear todos os modelos de iPhones, do 5 ao 11”. Esse tipo de crime teve um aumento nos últimos meses, especialmente na capital paulista. As informações são do jornal Folha de São Paulo

Os investigadores contaram à reportagem que, até então, os maiores especialistas em segurança de sistema e técnicos forenses admitiam ter falhado em todas as tentativas de invadir celulares bloqueados e, principalmente, acessar contas bancárias pelos aplicativos – uma vez que as senhas não eram salvas nos aparelhos. Em contrapartida, mais notícias do crime surgiam em São Paulo. 

Na operação do ano passado, 12 pessoas foram presas e outras 28 pessoas identificadas como integrantes do esquema. A prisão revelou que os criminosos conseguiam, de fato, desbloquear todos os iPhones, até a série 11 (na época em que a quadrilha foi presa, o modelo 12 não tinha sido lançado no Brasil). 

O delegado Fabiano Barbeiro, responsável pela prisão da quadrilha, explica que a técnica utilizada pelo grupo era simples. De acordo com ele, para conseguir o desbloqueio dos aparelhos, retirava-se o chip do aparelho furtado e inseria-o em um outro aparelho desbloqueado. Na sequência, o criminoso passava a fazer pesquisas nas redes sociais (especialmente Facebook e Instagram) para saber qual conta estava vinculada àquele número de linha.

Depois, é procurado o endereço de e-mail que a vítima utilizava para fazer o backup do conteúdo do aparelho, especialmente em nuvens, como iCloud e Google Drive, procurado primeiro pelas extensões @gmail.com. Ao baixar as informações da nuvem no novo aparelho, passa a procurar ali informações ligadas à palavra “senha” e, segundo delegado, consegue, geralmente, os números de acesso do celular e das contas bancárias. Com as senhas em mãos, era possível fazer a transferência de tudo o que conseguiam para as próprias contas.

Um dos suspeitos revelou à reportagem da Folha que aprendeu a técnica na região central de São Paulo e disse que ao menos três pessoas dão ‘aulas’ para criminosos interessados em aplicar golpes com celulares. O aumento desse tipo de crime tem preocupado a polícia, assim como os setores de serviços ligados às empresas de telefonia e bancárias, por conta de ressarcimento e ações judiciais.

O Procon-SP tem cobrado medidas dessas empresas e tem mantido programas de orientação aos consumidores. A Apple informou que não comentaria o assunto. A Federação Brasileira de Bancos declarou que os aplicativos dos bancos “contam com elevado grau de segurança desde o seu desenvolvimento até a sua utilização, não existindo qualquer registro de violação dessa segurança”.

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